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Para entender

Por que o nosso gosto musical se define durante a juventude?

Fã segura cartaz com a foto do cantor John Bon Jovi durante show no Chile, em 2013: adolescência é fase decisiva para a formação das preferências musicais. (Foto: EFE/Felipe Trueba)

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Estudos recentes realizados por pesquisadores europeus e canadenses revelam que as preferências musicais das pessoas se consolidam entre a adolescência e o início da vida adulta. O fenômeno, ligado ao desenvolvimento do cérebro e à formação da identidade, explica por que a nostalgia domina após os 40 anos.

O que acontece com o nosso cérebro quando ouvimos música?

Ao escutarmos uma canção de que gostamos, nosso cérebro libera dopamina, uma substância química ligada ao prazer, à recompensa e à motivação. Na juventude, esse sistema é muito mais sensível e intenso, o que torna as experiências musicais dessa fase muito mais marcantes e profundas em comparação com outras idades.

Qual é a idade decisiva para definir o que vamos gostar de ouvir?

As preferências começam a se fechar na transição da adolescência para a fase adulta, atingindo o que os cientistas chamam de 'pico de reminiscência'. Como o córtex pré-frontal — área do cérebro responsável pelo controle e identidade — termina de se formar por volta dos 25 anos, as músicas ouvidas até esse período tornam-se parte da estrutura de quem nós somos.

Por que é mais difícil gostar de bandas novas quando ficamos mais velhos?

Para o cérebro, entender uma música nova exige um esforço de processamento. Canções familiares são reconhecidas instantaneamente, gerando prazer sem gasto de energia. Conforme envelhecemos, tendemos a preferir o conforto do que já conhecemos. Para gostar de algo novo na maturidade, é preciso uma exposição contínua e deliberada, o que pouca gente se dispõe a fazer.

Como a música ajuda a regular as nossas emoções?

Com o passar dos anos, nos tornamos 'especialistas' em nossas próprias emoções. Passamos a usar a música de forma personalizada para reforçar nossa identidade ou buscar um efeito específico, como nos acalmar ou nos alegrar. Enquanto os jovens buscam diversidade e novidades sociais, os adultos usam as faixas como ferramentas para relembrar histórias e se sentirem bem.

Como essa descoberta pode mudar os aplicativos de música?

O objetivo dos pesquisadores é ajudar a melhorar os algoritmos de recomendação. A ideia é que os sistemas entendam que um jovem quer descobrir o novo, enquanto um ouvinte mais velho pode precisar de um equilíbrio maior entre a nostalgia e lançamentos que combinem com seu gosto consolidado, respeitando a evolução natural do interesse musical ao longo da vida.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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