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Cinco anos após o início da vacinação contra a Covid-19, estudos globais revisam as previsões de políticos e críticos. Os dados mostram que, embora a pandemia não tenha acabado imediatamente e efeitos colaterais existam, os imunizantes salvaram milhões de vidas e mantêm um saldo positivo.
As previsões otimistas de que a pandemia acabaria logo se confirmaram?
Não totalmente. Líderes da OMS, ONU e políticos como Joe Biden e João Doria esperavam um controle definitivo em curto prazo. No entanto, o Brasil registrou picos de letalidade meses após o início da imunização, e a OMS só declarou o fim da emergência de saúde global em maio de 2023. As vacinas foram essenciais, mas o vírus demonstrou uma resistência maior do que o previsto inicialmente pelas autoridades.
A vacina pode causar inflamação no coração (miocardite)?
Sim, é um efeito colateral real, mas extremamente raro. Estudo publicado na revista Nature indica que a incidência ocorre em cerca de 1 a 5 casos para cada 100 mil vacinados. O ponto crucial é que o risco de ter miocardite ao contrair o vírus SARS-CoV-2 é 18 vezes maior do que em pessoas não infectadas, enquanto a vacinação aumenta esse risco em apenas 3 vezes. Ou seja, a proteção da vacina contra o vírus ainda é o caminho mais seguro para a saúde cardíaca.
Quais outros problemas de saúde foram associados aos imunizantes?
Pesquisas com quase 100 milhões de pessoas identificaram aumentos raros em casos da Síndrome de Guillain-Barré e trombose venosa cerebral (ligados à AstraZeneca), além de inflamações no sistema nervoso central (Moderna). Contudo, a frequência desses eventos é baixíssima: entre 1 e 2 casos para cada um milhão de doses. Especialistas reforçam que identificar esses sinais ajuda a tornar as orientações de segurança ainda mais precisas para a população.
A afirmação de que a vacina causa mais mortes que a doença é verdadeira?
Não. Um estudo amplo publicado pelo periódico científico JAMA, que acompanhou 28 milhões de adultos durante quatro anos, rebateu teorias de que a vacinação aumentaria a mortalidade geral. Os resultados provaram que não houve aumento no risco de morte para os vacinados. Pelo contrário, o grupo imunizado apresentou probabilidade significativamente menor de morrer por complicações da Covid-19 ou por outras causas gerais de mortalidade.
Mais de cinco anos depois, existem sequelas em larga escala?
Até o momento, com mais de 5,5 bilhões de pessoas imunizadas no mundo, não há registro de sequelas graves em massa. O saldo histórico mostra que as narrativas alarmistas, que comparavam a situação à Revolta da Vacina de 1904, foram exageradas. A ciência consolidou o entendimento de que os benefícios da imunização superam vastamente os riscos dos efeitos adversos pontuais e raros.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









