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Um inquérito policial encontrado nos arquivos do Tribunal de Justiça de São Paulo detalha o confronto na Praça da República em 23 de maio de 1932. O episódio, que resultou na morte de cinco manifestantes, foi o estopim para a Revolução Constitucionalista contra o governo de Getúlio Vargas.
O que aconteceu na noite de 23 de maio de 1932?
Durante um protesto contra Getúlio Vargas no centro de São Paulo, manifestantes tentaram invadir a sede da Liga Revolucionária, um grupo que apoiava o governo federal. Políticos e militares leais ao regime reagiram com tiros e granadas disparados do alto do prédio, atingindo várias pessoas que estavam na multidão e transformando o ato político em um confronto sangrento.
O que significa a sigla MMDC?
MMDC é um acrônimo formado pelas iniciais de quatro jovens que foram mortalmente feridos no conflito: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Eles se tornaram mártires da causa paulista. Posteriormente, o nome de Orlando Alvarenga, uma quinta vítima que morreu meses depois em decorrência dos ferimentos, também foi integrado à memória histórica do movimento.
Quais detalhes revelam os laudos médicos sobre as vítimas?
Os laudos de necropsia indicam que as mortes foram causadas por hemorragias internas e lesões graves provocadas por armas de fogo. Um dos casos mais dramáticos foi o de Dráusio Marcondes de Souza, um estudante de apenas 14 anos. Ele foi atingido por um tiro de fuzil que atravessou seu ventre, falecendo cinco dias depois por causa de uma infecção generalizada chamada peritonite.
O que as testemunhas relataram no inquérito policial?
Sobreviventes e testemunhas descreveram o cenário como desesperador. Francisco Antônio Valente relatou que o povo pretendia 'empastelar' (destruir as instalações) da sede governista em protesto, mas que foram recebidos a balas vindo de todas as janelas. Outra testemunha, Sebastião Alves, afirmou ter visto fuzis nas mãos de defensores da sede e ajudado um jovem ferido que morreu em seus braços.
Por que esse documento histórico passou tanto tempo desaparecido?
O inquérito de 78 páginas que investigou a tragédia ficou perdido por décadas, sendo recuperado apenas em 2013. Ele foi localizado por uma comissão de pesquisadores do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo. A peça é fundamental para entender como a morte de civis desarmados mobilizou a sociedade paulista a pegar em armas na última grande guerra civil brasileira.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





