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Os índices de longevidade dos seres humanos nunca estiveram tão altos. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida média dos brasileiros atingiu a marca de 76,4 anos – um aumento de mais de três décadas desde o Censo de 1940 (quando o índice estava em 45,5 anos).
Entre as principais causas desse “envelhecimento” dos brasileiros está a mudança de hábitos cotidianos. Isso significa: a prática regular de exercícios físicos, a diminuição do consumo de álcool e a adoção de práticas alimentares cada vez mais saudáveis, focadas no bem-estar e na busca por uma velhice sem sustos.
Agora, uma substância presente em alimentos tradicionais pode reforçar essa tendência de longevidade. De acordo com uma recente pesquisa publicada na revista Nature, o queijo azul e o fígado de galinha — ricos em espermidina —estão entre os alimentos que podem contribuir para o aumento da expectativa de vida e ainda proteger contra doenças como o câncer e o Alzheimer.
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O que é a espermidina, substância presente no queijo azul?
A espermidina é uma amina biogênica natural, produzida pelo próprio organismo e presente em praticamente todas as células vivas. Pertencente à família das poliaminas, ela atua na ativação da autofagia celular, processo biológico responsável pela renovação e reciclagem de células danificadas – um mecanismo essencial para retardar o envelhecimento e prevenir doenças degenerativas.
À medida que envelhecemos, o processo de autofagia desacelera, contribuindo para o desenvolvimento de condições crônicas como o câncer, doenças cardiovasculares e neurológicas — como o Alzheimer.
"A espermidina estimula a decomposição de proteínas defeituosas, que de outra forma se acumulariam no cérebro e estão ligadas à doença de Alzheimer", afirma o biocientista e um dos autores da pesquisa, Nektarios Tavernarakis, ao The Daily Telegraph.
"Ela auxilia as células a reorganizar-se, aumentando sua resiliência, produção de energia e potencialmente repelindo doenças", explicou Tavernarakis ao jornal.
Quais são os benefícios de consumir a espermidina?
A espermidina pode ser encontrada em diversos alimentos, desde plantas, carnes e até mesmo em micróbios. Segundo os especialistas, ela pode ser encontrada em níveis elevados em alimentos como queijos maturados – como é o caso do queijo azul –, fígado de galinha, ervilha verde, milho, lentilha, cogumelos e mariscos.

A substância já pode ser encontrada à venda como suplemento alimentar em várias partes do mundo, mas os cientistas alertam: ainda são necessários estudos mais aprofundados para estimar uma quantidade diária saudável e não prejudicial ao corpo humano.
Além disso, é preciso entender quais são as contraindicações do uso diário da substância, já que a maior parte das pesquisas científicas utilizou como cobaias camundongos para a obtenção dos resultados em laboratório. Por isso, a substância deve ser ingerida preferencialmente a partir de alimentos naturais, e não por suplementação sem orientação médica.
Mas, mesmo assim, os especialistas estão otimistas com os resultados iniciais da espermidina em testes preliminares com humanos.
Como incluir a espermidina na dieta?
A espermidina pode ser incorporada facilmente às refeições cotidianas. O germe de trigo, por exemplo, contém cerca de 24mg do composto a cada 100g de alimento, e pode ser adicionado a iogurtes, sucos, cereais ou massas para pães e bolos.
Os queijos maturados, como o gorgonzola ou o roquefort, oferecem de 5 a 8mg em 100g e podem acompanhar pães integrais ou saladas. Já a soja – rica em poliaminas – pode ser usada em saladas, sopas ou até em hambúrgueres vegetais.
Embora ainda seja cedo para afirmar que a espermidina é uma “fonte da juventude”, as evidências apontam para seu potencial como uma aliada da saúde celular e, claro, da longevidade.



