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Vinte e um anos depois, o legado de João Paulo II permanece

A Via-Sacra no Coliseu de 2004 foi a última de que João Paulo II participou pessoalmente; no ano seguinte, as imagens do papa doente em sua capela, segurando um crucifixo enquanto acompanhava a cerimônia pela televisão, correram o mundo. (Foto: EPA/Patrick Hertzog)

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Faz 21 desde aquele 2 de abril de 2005, quando, às 21h37, o papa João Paulo II voltou para a Casa do Pai. Já se passaram 21 anos desde o fim de um dos pontificados mais longos da história da Igreja e da vida de um papa que mudou o mundo.

Hoje, lembro-me do seu compromisso incansável, dos seus gestos poderosos e das suas palavras: “Não tenhais medo: abri, escancarai as portas a Cristo!”

São João Paulo II foi o papa dos recordes e o homem que conduziu a Igreja para o novo milênio. Nascido Karol Józef Wojtyła na Polônia, em 18 de maio de 1920, João Paulo II foi o primeiro papa não italiano em 455 anos e o primeiro polonês a subir ao trono papal. O jovem Karol era uma personalidade eclética: filósofo, poeta, artista e sacerdote, sempre engajado no mundo e pelo mundo.

Para muitos, o pontificado de São João Paulo II foi um dos elementos fundamentais que levaram ao fim dos regimes comunistas na Europa Oriental, a ponto de ainda hoje muitos o verem como um dos construtores da Europa moderna.

O seu pontificado também foi marcado por um ato de violência inimaginável: em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, o papa foi atingido por vários tiros disparados por Ali Agca. Wojtyła caiu, a imagem deu a volta ao mundo e ficou gravada na mente das pessoas como uma das mais fortes do século XX. Durante alguns meses, 1,5 bilhão de católicos do mundo temeram pela vida do Sumo Pontífice, mas, milagrosamente, ele sobreviveu e continuou o seu incansável apostolado, inclusive perdoando o homem que o havia baleado.

São João Paulo II viajou mais do que todos os seus predecessores, levando esperança aos cantos mais remotos da Terra e a destinos marcados por estreias históricas — como a viagem a Cuba em 1998 —, realizando mais de 100 viagens e encontrando milhões e milhões de pessoas.

Entre os fenômenos que marcaram o pontificado de São João Paulo II, destacou-se a adesão irresistível a um verdadeiro movimento juvenil nascido para seguir o Pontífice por toda parte. Os “Papaboys” foi o termo usado para descrever os milhares de jovens que encontravam João Paulo II durante as Jornadas Mundiais da Juventude, criando uma relação muito forte — tanto que os jovens foram o último pensamento nas horas de agonia antes da sua morte.

Todas as vezes em que entrei em contato com o Papa João Paulo II, eu sentia como se estivesse encontrando Jesus, a quem o papa representava com todo o seu ser: com as palavras, o silêncio, os gestos, a maneira de rezar, com todo o seu modo de ser. Eu percebia imediatamente que ele era uma pessoa cheia de Deus. E, para o mundo, ele se tornou um sinal visível de uma realidade invisível. Muitas vezes bastava olhar para ele para descobrir a presença de Deus e, assim, começar a rezar.

E foi o sofrimento do pontífice, mostrado na longa doença que o levou à morte, um dos seus últimos atos, abraçando a sua missão e entregando-se por inteiro ao mundo como Vigário de Pedro: “Não se desce da Cruz”, ele advertia repetidamente.

João Paulo II testemunhou ao mundo que, para fazer da existência e do amor um todo coerente, o único caminho é amar sem limites, para além e mais do que a própria existência, abandonando-se completamente ao abraço de Cristo, que “não tira nada, mas dá tudo”.

Nestes tempos de descristianização, há uma necessidade urgente de um testemunho vivo por parte dos fiéis batizados de toda a mensagem e missão de Jesus, seguindo os passos da tradição da Aliança do Antigo e do Novo Testamento. Especificamente, os fiéis leigos são chamados pela sua “vocação especial” a testemunhar a misericórdia de Deus.

Em primeiro lugar, os leigos devem professar a sua crença na verdade fundamental da redenção e da salvação realizada por Jesus na Cruz romana do Monte Calvário. Depois, devem transmitir essa verdade revelada da fé, procurando encarná-la na própria vida e, na medida do humanamente possível, na vida de todos os homens de boa vontade.

Em outras palavras, somos chamados pelos sacramentos do Batismo a participar da mensagem e da missão de Jesus, a professar e proclamar a misericórdia de Deus em toda a sua verdade, tal como foi transmitida e entregue pela Revelação, e como São João Paulo II nos mostrou todos os dias do seu pontificado.

©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Remembering Pope Saint John Paul II.

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