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A possibilidade de derrota de Lula nas eleições voltou a acionar o já conhecido “alarme da democracia” entre figuras de peso do cinema nacional. Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e outros brasileiros integrantes da Academia que entrega o Oscar divulgaram uma carta pedindo atenção da comunidade estrangeira para o segundo turno das eleições.
Publicado no sábado (10) pela Variety, uma das principais revistas da indústria do entretenimento e referência para o mercado de Hollywood, o documento traz 65 assinaturas e vem repercutindo nas redes sociais e em outros sites de notícias internacionais.
Entre os signatários estão Sônia Braga, Alice Braga e os diretores Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto), Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e Petra Costa (Democracia em Vertigem). A lista ainda inclui nomes como Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?), Daniel Filho (Se Eu Fosse Você) e Rodrigo Teixeira (produtor de Ainda Estou Aqui).
A carta mistura denúncias de uma possível interferência americana nas eleições, suspeitas de favorecimento a Flávio nas plataformas digitais e, é claro, o medo de perdr verbas públicas. Os artistas pedem uma investigação e capricham no drama: segundo eles, a democracia está em risco.
Golpe, assassinatos e pandemia
Nem a cobertura dos veículos brasileios satisfaz o grupo. Os signatários acusam “grande parte da mídia tradicional” de normalizar propostas que atribuem a Flávio (como reescrever a Constituição de 1988 e anistiar seu pai), além de minimizar outras denúncias citadas na carta.
Entre elas, a tentativa de golpe atribuída a Jair Bolsonaro e supostos planos para assassinar Lula e Geraldo Alckmin. Os artistas também mencionam uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional sobre as mais de 600 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Segundo eles, essa acusação aponta que mais da metade dos óbitos poderia ter sido evitada por Bolsonaro.
O apelo segue uma fórmula conhecida da militância cultural: se a direita pode ganhar, é hora de pedir socorro ao mundo. Os colegas estrangeiros são convocados a engrossar o coro e a imprensa, cobrada a subir o tom das críticas.
Onde o calo aperta
O manifesto também traz uma preocupação que fala diretamente ao bolso dos signatários: o financiamento do próprio setor audiovisual.
Ao criticar a austeridade fiscal, os autores citam o “fechamento” do Ministério da Cultura no governo Bolsonaro — na verdade, a pasta foi transformada em secretaria como parte da redução da estrutura ministerial. “Tememos um retorno a esse cenário”, eles afirmam.
Em seguida, o grupo vincula a sustentabilidade do cinema, mais uma vez, à defesa da democracia. E o medo de perder verbas acaba entrando no mesmo pacote das ameaças ao país.
A carta não declara apoio a Lula, porém concentra suas críticas em Flávio. É o cinema brasileiro levando a Hollywood mais uma campanha — desta vez não pelo Oscar, mas eleitoral.





