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Porta-vozes do Brasil? O que Wagner Moura, Anitta e Fernanda Torres andam dizendo sobre o país lá fora 

Wagner Moura, Fernanda Torres e Anitta, os novos "porta-vozes" do Brasil no exterior
Wagner Moura, Fernanda Torres e Anitta, os novos "porta-vozes" do Brasil no exterior (Foto: EFE)

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Wagner Moura, Fernanda Torres e Anitta se tornaram, nos últimos tempos, os rostos do Brasil no mercado global do entretenimento O trio passou a ocupar espaços que artistas do país não frequentavam com tanta projeção há décadas, desde a internacionalização da Bossa Nova ainda nos anos 60.  

O ator baiano acaba de vencer o Globo de Ouro pelo filme O Agente Secreto. A atriz também faturou a prestigiada premiação e esteve no Oscar representando Ainda Estou Aqui, eleita melhor produção estrangeira em 2025. Enquanto isso a cantora, sustenta, há anos, uma carreira no segmento do pop internacional.    

Os três circulam por talk shows como os de Jimmy Kimmel e Seth Meyers, e estampam revistas como VarietyRolling Stone e The Hollywood Reporter. Wagner, Fernanda e Anitta entraram para o circuito mais valorizado (e exclusivo) do entretenimento mundial.  

Com a fama, eles se tornaram “porta-vozes” informais do Brasil. O trio é provocado a comentar política, cultura e crises do país, e cada fala ganha ainda mais relevância nas redes sociais. Mas, até que ponto artistas devem representar uma nação no exterior? E o que eles dizem lá fora sobre o país em que nasceram?

Para Wagner Moura, Brasil teve um presidente fascista 

A ascensão internacional de Moura é bem anterior ao filme O Agente Secreto. Em 2015, o ator foi o protagonista de Narcos, na pele de Pablo Escobar, série da Netflix que virou hit global. Ele fez também diversas participações em produções de Hollywood, como em Guerra Civil, de 2024, quando viveu o jornalista Joel. 

Moura tem um longo histórico de apoio ao PT desde o impeachment de Dilma Rousseff e atualmente é um dos principais artistas identificados com a esquerda no Brasil. O baiano costuma figurar em protestos progressistas e gravou vídeos com críticas à Lava Jato e ao ex-juiz e senador Sérgio Moro (União).  

Sempre falando em inglês, o ator é presença recorrente na mídia americana. No último dia 6, foi ao ar a entrevista do ator ao Late Night with Seth Meyers, talk show da rede NBC nos Estados Unidos. “Moura engordou 18 quilos para Narcos e conta por que O Agente Secreto é tão importante para os brasileiros” foi a chamada no canal do YouTube da atração.  

Em sua resposta, o baiano afirmou que entre 2018 e 2022, período do governo de Jair Bolsonaro, o Brasil foi liderado por um presidente fascista.  

“[O Agente Secreto] é um filme que se passa no final dos anos 70 [...]. O Brasil estava sob uma ditadura muito pesada de 64 a 85. Mas a urgência de fazer este filme foi o que estava acontecendo de 2018 a 2022, quando tivemos um presidente fascista”, comentou.  

O artista prosseguiu: “Tudo o que você vê sobre o Brasil, a diversidade, a cultura, é provavelmente um país que tem a constituição mais moderna do mundo, mas também é o último país do mundo ocidental a abolir a escravidão. O colonialismo, o imperialismo, a violência e os golpes de estado e coisas como a ditadura que tivemos ainda estão presentes na vida cotidiana”. 

A vitória no Globo de Ouro amplia o alcance de Wagner Moura que teve a popularidade catapultada no país ao interpretar o Capitão Nascimento nos dois filmes Tropa de EliteO Agente Secreto, dirigido por Kléber Mendonça Filho, é cotado para receber indicações ao Oscar, incluindo para o prêmio de melhor ator para seu protagonista.

Em perfil publicado pelo Los Angeles Times, Moura rejeitou a ideia de se tornar um “militante profissional de Hollywood”. Afirmou que não quer ser “o Che Guevara do cinema”, mas também não aceita apagar suas origens para caber em moldes estrangeiros. Para ele, levar o Brasil consigo é justamente o que o torna interessante como artista.

Para Fernanda, o Brasil um país ameaçado pelo autoritarismo  

O filme que alçou a filha de Fernanda Montenegro ao circuito internacional, Ainda Estou Aqui, também é ambientado no período da ditadura militar no Brasil. Indicada aos prêmios cinematográficos no exterior, a atriz deu entrevistas em sequência para a imprensa americana e europeia em 2025. 

Torres sempre foi identificada com valores da esquerda. Nos últimos anos, fez diversas críticas a Jair Bolsonaro e se acostumou a trocar elogios públicos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  

A ida ao Jimmy Kimmel Live!, da ABC, em janeiro do ano passado, fez a atriz sair da bolha cinéfila. Também falando em inglês, a carioca exaltou a força de sua personagem na produção dirigida por Walter Salles, Eunice Paiva, mulher do deputado Rubens Paiva, desaparecido durante o período da repressão brasileira.   

A atriz concedeu diversas entrevistas a veículos estrangeiros importantes, como as agências Reuters e Associated Press e a revista Vogue. Nas oportunidades, sempre tratou o Brasil como uma nação sob a ameaça de uma suposta corrente autoritária e que o longa-metragem que protagonizou cumpria um “dever cívico”.   

Recentemente, um vídeo publicitário da Havaianas com Fernanda Torres dizendo “não quero que vocês comecem 2026 com o pé direito” causou polêmica. A frase foi lida como mensagem ideológica e influenciadores conservadores acusaram a marca de calçados de militância e propuseram um boicote aos chinelos da empresa.

Para Anitta, brasileiros querem “transar e se divertir” 

Anitta começou a investir em uma carreira internacional em 2017, ao lançar suas primeiras músicas em inglês e espanhol. Aos poucos, a carioca foi ganhando espaço, com shows na Europa, até que em 2024 se lançou em uma turnê com pretensões globais. Inicialmente reconhecida como “funkeira”, Anitta se manteve apelando à sensualidade.  

A artista estampou, por exemplo, a capa mais recente da da Travel + Leisure, revista americana sobre viagens e comportamento. Na conversa, a brasileira explicou por que decidiu desacelerar sua carreira internacional e voltar a focar no Brasil, após anos de turnês e projetos no exterior. Também aproveitou para exaltar o valor cultural e humano do Brasil. 

“O Brasil é um país onde as pessoas sabem se unir. Quando estamos com a família, passamos tempo juntos de uma forma que é calorosa, verdadeira e profunda. Fora do Brasil, tem que ter um jantar ou você tem que marcar um almoço. As pessoas não se reúnem para nada”, comentou Anitta. 

Antes disso, ela já havia dado declarações mais controversas sobre o seu país.

Em 2022, com show marcado no Coachella, um dos principais festivais dos Estados Unidos, Anitta disse à publicação americana Nylon Magazine que “no Brasil, todo mundo quer se divertir e transar e eu quero trazer essa energia para cá [para os EUA]”.  

Acusada de reforçar estereótipos e manchar a reputação das mulheres brasileiras, Anitta foi duramente criticada nas redes sociais, inclusive por fãs. A artista afirmou que a frase foi “tirada de contexto” e que jamais falaria algo depreciativo a respeito de seu próprio povo: “Frustrante. Cansativo. Desestimulante”, afirmou, sobre o caso. 

Em 2022, a cantora declarou seu voto em Lula na disputa contra Jair Bolsonaro. E ao responder um comentário na internet, quando fez um post sobre a Guerra na Ucrânia, desconversou sobre seu posicionamento político. “Eu não sou nem comunista, nem direita, nem esquerda, nem central [...]. Eu sou anti palhaçada, babaquice e coisa ruim”.

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