
A primeira diferença entre os imóveis dos EUA e os do Brasil está na forma como eles são vistos. Se por aqui há quase uma relação afetiva com o lar, por lá a relação é de puro investimento. Esse pensamento se deve à uma classe média flutuante, segundo o arquiteto brasileiro e professor do curso de Arquitetura na Universidade Washington, Zeuler Lima, que mora nos EUA há mais de 11 anos. "Aqui nos EUA as famílias se mudam com mais freqüência devido a alta volatilidade do mercado de trabalho. Com um fluxo maior de pessoas, a casa é vista como um investimento. Por isso, a arquitetura é mais conservadora, as casas não são personalizadas, não têm uma identidade."
Outro fator que colabora para a aparência convencional dos imóveis é o controle de decisão que os construtores e a mão-de-obra em geral tem sobre a edificação. "A empresa tem um determinado know-how de uma forma de construir. Se você a contratar é para fazer aquele modelo e pronto."
Lima comenta que há um padrão estabelecido de casas feitas com estrutura de madeira e paredes de dry-wall (sanduíches de gesso) e prédios residenciais de três ou quatro andares (prédios altos são os comerciais), feitos com estrutura de concreto ou, no caso dos um pouco mais altos, de aço. "Em meio a todas essas características há também a influência do clima. No norte do país onde é mais frio é de praxe ter uma construção com isolamento térmico."
O arquiteto explica que há uma preocupação com o aquecimento e o gasto de energia do imóvel, já que os EUA estão cada vez mais dependente da energia comprada de fora. "A casa pode ter aquela cara conservadora, mas com painéis de energia solar no telhado. A aparência engana."
Metragem
Lima aponta que o tamanho médio de uma casa classe média de dois ou três dormitórios fica entre 150 e 200 metros quadrados. Um apartamento, entre 80 a 120 metros quadrados. "Alguns antigos, como o meu que tem 90 anos de construção, podem ter 180 metros quadrados, mas são difíceis de encontrar. Casas de classe média-baixa tendem a ser menores, entre 80 e 100 metros quadrados".
Os bairros residenciais dos EUA têm um aspecto muito linear, organizado, com prédios residenciais baixos e as casas com terrenos mais amplos do que no Brasil, por uma cultura que liga o "morar bem" com viver perto do verde. "A divisão entre os terrenos é menos brutal que no Brasil, sem muros ou grades. Esse conservadorismo muda um pouco, em alguns estados como Califórnia, Arizona e Flórida, onde houve a maior especulação imobiliária e a crise está mais intensa hoje, há uma arquitetura um pouco mais solta e talvez mais criativa."
Lofts
Esses imóveis que surgiram na década 1970 nas cidades do norte do país, principalmente em Nova Iorque, com o aproveitamento dos grandes barracões industriais como residências permanecem um fenômeno imobiliário até hoje. "Eles têm essa fama de um imóvel moderno, transado, são muito procurados, mas pouco funcionais. Além dos imóveis antigos que foram adaptados para serem residências, foram construídos novos imóveis inspirados nesse aproveitamento e que resultam em uma distribuição de espaço estranha. São apartamentos grandes, como os de subúrbio, de 120 metros quadrados."



