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Moradia

Dividir a casa é opção de vida

Jovens compartilham o lar com amigos em um novo formato de república “adulta”

Os amigos Malu Laate, Hafid Queiroz e André Malinski comparti-lham um apartamento no centro de Curitiba. Boa localização e preço acessível são os principais atrativos | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Os amigos Malu Laate, Hafid Queiroz e André Malinski comparti-lham um apartamento no centro de Curitiba. Boa localização e preço acessível são os principais atrativos (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

Repartir as áreas comuns da casa, baratear o custo da moradia e ter companhia para a rotina não é somente opção para estudantes universitários. Em grandes centros urbanos, cada vez mais jovens recém-formados, adultos profissionalmente estabelecidos e até pessoas mais velhas preferem compartilhar a residência com amigos. Mas o formato é diferente da tradicional república estudantil. Além de um cuidado maior com o imóvel e detalhes como decoração e utensílios, na maioria das vezes, o proprietário do imóvel – ou locatário – já tem o espaço praticamente montado e toma a iniciativa de chamar outros moradores.

Outro fator é que nem sempre a questão financeira é a principal motivação para a "república adulta". Há quem prefira ter amigos em casa, dividindo o cotidiano entre os períodos de trabalho, lazer e descanso, e não deixar quartos vagos. É o caso do artista plástico curitibano André Malinski. Depois de passar pela experiência de dividir residência em Londres e em São Paulo, ele decidiu repetir o formato em Curitiba.

"Esse hábito é muito comum em outras partes do mundo. Em Londres, morei com um senhor que tinha um quarto vago ao lado do local onde eu trabalhava. Em São Paulo, com uma senhora que residia em plena Avenida Paulista", conta Malinski.

Tudo montado

Ele vivia com a mãe em um apartamento amplo e bem localizado, com 100 metros quadrados. Depois que ela faleceu, em 2009, o artista plástico percebeu que não gostava de morar sozinho – mas também não poderia se mudar para um imóvel menor. "Tenho muitos quadros e móveis e não queria me desfazer deles. Moro no mesmo apartamento há 15 anos e ele está todo montado", diz. A melhor saída foi encontrar quem topasse viver no esquema comunitário.

Malinski teve, primeiramente, amigos estrangeiros dividindo a casa. Há dois meses, chegaram novos moradores: Malu Laate, que também é artista plástica, e Hafid Queiroz, publicitário. Os dois procuravam lugar para morar e queriam unir boa localização, preço acessível e a facilidade de não precisar comprar eletrodomésticos e móveis nem se preocupar com a mudança. O trio se "achou" pela internet, via redes sociais.

"É um tipo de moradia provisória, mas é prática e confortável, porque estamos em uma casa de família, completa, inclusive com decoração", comenta Hafid.

Em um momento de transição, Malu também optou pela moradia compartilhada. "Pensava em comprar um apartamento, mas isso não estava confirmado, e também estou passando por mudanças no campo profissional. Por isso, precisava de um lugar que não me desse trabalho", observa a artista.

Internet

A prática de compartilhar quartos ou espaços da casa é mais comum fora do país, especialmente em grandes centros urbanos onde a moradia é escassa e cara. Estadias curtas para turistas ou alugueis mensais para roommates são facilmente encontrados em sites que listam esse tipo de ofertas, como o booking.com e o airbnb.com. Ofertas em Curitiba e outras cidades do Paraná também podem ser encontradas na internet.

Outra ferramenta online que pode alavancar o sistema de casa compartilhada é o EasyQuarto, site que, como o nome explicita, oferece quartos disponíveis em casas espalhadas pelo país. A ideia é reunir quem tem um espaço para alugar e quem procura um canto para viver. O sistema traz informações sobre os "anunciantes", com características como horários e preferências pessoais.

O site reúne mais de 15 mil anúncios, e a última estatística divulgada pelo portal mostrava que 57% dos usuários são profissionais, com idade média em torno dos 27 anos. Os números mostram que a opção de dividir o lar mesmo depois do tempo de estudo continua sendo uma opção viável e procurada.

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