
A Eletrobrás, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia (Procel), e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançaram este mês a Etiqueta de Eficiência Energética em Edificações para prédios públicos, comerciais e de serviços. Entre os cinco projetos que passaram pela avaliação voluntariamente e ganharam a etiqueta está uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF), construída no bairro Jardim das Américas, em Curitiba.
Os outros projetos que receberam a etiqueta são a sede administrativa da CEF em Belém (PA); a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC), em Criciúma; a Faculdade de Tecnologia Nova Palhoça (Fatenp), em Nova Palhoça (SC); e o Laboratório da Engenharia Ambiental (Cetragua) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.
Pela iniciativa, assim como geladeiras e outros aparelhos elétricos que fazem parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), as edificações são classificadas de A a E, sendo A o nível mais eficiente (leia-se menor consumo de energia).
Os critérios avaliados são três: envoltória (cobertura, fachada e elementos como portas e janelas), iluminação (tipo, setorização e distribuição de circuitos) e climatização (gasto relativo ao conforto térmico da construção, como o uso do ar-condicionado).
A metodologia aplicada para a certificação foi desenvolvida pela Eletrobrás e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE), da UFSC, com a participação de uma comissão de representantes do Inmetro, do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel), do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), da Caixa Econômica Federal, entre outros. Depois de aprovada pelo Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), do Ministério de Minas e Energia, a metodologia foi aberta à consulta pública.
Com projeto externo da Realiza Arquitetura e interno do escritório Morozowski & Perry Arquitetos, e obra da Doria Construções, a agência da Caixa ganhou conceito A em envoltória, B em iluminação e C em climatização. "A boa orientação solar e a existência de marquises, que limitam a incidência do sol no interior da edificação, foram dois dos fatores que contribuíram para que a construção ganhasse conceito A em envoltória", conta um dos diretores da Doria, o engenheiro civil Carlos German Flores. A obra teve mais pontuação devido a um sistema de racionalização do consumo, aproveitamento da água da chuva e outros itens como bacias sanitárias de consumo reduzido.
A CEF comparou a obra, inaugurada em dezembro de 2008, com outras agências do país e chegou à conclusão que ela consome 24% a menos de energia e 65% de água.
Futuro
A Etiqueta de Eficiência Energética para Edificações nasce de forma gradual e voluntária participa quem quer para ter um diferencial de mercado , mas, no futuro, deverá se estender às obras residenciais e chegar à obrigatoriedade (em cerca de 5 ou 7 anos, estima a Eletrobrás). O consumidor que opta por um imóvel energeticamente eficiente tem dois benefícios diretos: um ambiente com bons índices de conforto térmico e visual e com qualidade do ar garantida; e um imóvel com baixo consumo energético (uma economia financeira de até 37% nas contas de energia ao longo da vida útil do imóvel, estimada em 50 anos).
Como participar
O processo de etiquetagem de edificações está aberto para edifícios comerciais, de serviços e públicos com área mínima de 500 metros quadrados ou com tensão de abastecimento superior ou igual a 2,3 kV. O proprietário do edifício deverá procurar um laboratório credenciado pelo Inmetro que irá avaliar o projeto do edifício e emitirá uma etiqueta de projeto, com três anos de validade.
Após a obra, é necessária uma inspeção para a emissão de uma etiqueta com cinco anos de validade. No momento, o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da UFSC é o designado para a tarefa. Informações no site http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtosPBE/EdificiosComerciais.asp.



