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Combustível

Gás natural “busca” novos lares

A capital paranaense tem 100 edifícios que utilizam o gás natural. O número ainda é muito pequeno, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é o maior da Região Sul do Brasil. Ao todo são 3.196 residências utilizando o combustível

“Ter a conta (de gás natural) separada dos outros condôminos e da área comum facilita o controle dos gastos.”Isabel Cristina Isique Pinheiro, síndica do condomínio horizontal North York | Valterci Santos/Gazeta do Povo
“Ter a conta (de gás natural) separada dos outros condôminos e da área comum facilita o controle dos gastos.”Isabel Cristina Isique Pinheiro, síndica do condomínio horizontal North York (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)
Edifício Giconda: instalação externa |

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Edifício Giconda: instalação externa

Edifício Giconda: chega aos apartamentos por canos na parede |

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Edifício Giconda: chega aos apartamentos por canos na parede

Edifício Giconda: tem medidores individuais |

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Edifício Giconda: tem medidores individuais

Confira quais bairros têm rede de gás e aqueles que terão a partir de 2013 |

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Confira quais bairros têm rede de gás e aqueles que terão a partir de 2013

Hoje, 3.196 residências curitibanas consomem 4.100 metros cúbicos/dia de gás natural – uma pequena parte do volume total, de 950 mil metros cúbicos/dia, consumido por indústrias, estabelecimentos comerciais e automóveis. São 100 edifícios que utilizam o combustível, com possibilidade de mais cinco até o fim do mês de agosto. O número é o maior da Região Sul (Santa Catarina tem 233 residências com gás natural e o Rio Grande do Sul 249), mas bem menor que o registrado em São Paulo (758.132 residências) e Rio de Janeiro (mais de 738 mil residências).

Embora a aceitação do sistema por parte de construtoras, incorporadoras e condomínios tenha melhorado, o engenheiro civil e gerente do segmento urbano da Compagás, companhia que administra o gás natural no Paraná, Mauro Melara, diz que o uso residencial do gás natural ainda esbarra em uma cultura forte de uso do GLP. "Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a experiência das companhias com o gás residencial já tem 100 anos de tradição, com as reservas nacionais. A exploração desse mercado pela Compagás começou em 2002 batendo forte contra uma cultura já enraizada do uso do GLP (gás de cozinha) e uma população que ainda tem muitas dúvidas sobre o produto. Com o tempo estamos expondo as vantagens do nosso combustível e conquistando mais clientes."

Até 2013, a Compagás pretende saturar os oito bairros de Curitiba onde a rede de distribuição residencial já existe para então expandir o acesso para a parte Norte da cidade. Atualmente, a companhia leva o combustível, oriundo do gasoduto Brasil/Bolívia, a sete cidades do estado: Curitiba, Ponta Grossa, Palmeira, Balsa Nova, Araucária, Campo Largo e São José dos Pinhais. Apenas a capital tem o gás para uso residencial, para atividades como cocção de alimentos, aquecimento de água e calefação, em churrasqueiras e lareiras. Apesar da instabilidade política na Bolívia, que no passado afetou o fornecimento de gás natural para o Brasil, o abastecimento residencial no Paraná é tido como prioritário. Como o volume de consumo ainda é baixo, especialistas garantem que não há risco de desabastecimento.

Vantagens

Os principais pontos positivos do gás natural estão na instalação segura (o gás vem direto do encanamento da rede de distribuição sem que haja a necessidade de se ter uma central de gás ou um botijão dentro de casa) e no fornecimento ininterrupto. "Além de uma negociação comercial vantajosa com a Compagás, a economia de espaço é um dos fatores que nos levam a escolher o gás natural em alguns empreendimentos. A ausência de uma central pode representar mais área comum para condomínio", explica o gerente de engenharia da Plaenge, Frederico Hofius.

Outra vantagem é a praticidade na medição individual de consumo. Enquanto com o GLP o síndico precisa fazer a leitura de cada condômino (nos casos de gás comprado em botijão é preciso que o síndico faça também a conversão de quilograma para metros cúbicos), com o gás natural a conta já vem separada no nome do morador.

"Ter a conta separada dos outros condôminos e da área comum facilita o controle dos gastos", diz a fonaudióloga e síndica do condomínio horizontal North York, no Ecoville, Isabel Cristina Isique Pinheiro. Do imóvel antigo para o novo, que ficou pronto em 2007 e foi o primeiro empreendimento horizontal a ter o gás natural na cidade, Isabel teve de fazer mudanças apenas no fogão. "Como o equipamento ainda estava dentro da garantia, chamei o técnico do fabricante que trocou algumas peças e fez a conversão sem cobrar nada."

Conversão

Com o crescimento imobiliário, além dos lançamentos com o sistema, a Compagás prevê também uma demanda dos edifícios já construídos que queiram mudar do GLP para o gás natural. "Se a instalação for feita de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (seguindo as NBRs 15.526 e 13.103) para encanamentos de gás a chance de utilizar a rede é grande. O teste decisivo é o de vazamentos. Se detectarmos qualquer vazamento na instalação existente sugerimos uma nova", explica Melara.

O edifício Gioconda, no Água Verde, fez a conversão há dois anos e optou por refazer todo o encanamento. "Há três anos tivemos uma explosão por causa de um vazamento com GLP que prejudicou 6 dos 32 apartamentos. Procuramos o gás natural por motivos de segurança e, por causa da explosão, preferimos fazer a instalação toda nova, feita com canos externos", explica a dona de casa e síndica do prédio, Terezinha Aparecida de Freitas Schimidt de Vasconcelos. O custo total da conversão foi de R$ 80 mil. "Negociamos com a Compagás um contrato de quatro anos de fornecimento. A companhia concordou em arcar com 50% do valor da conversão e parcelar a outra metade."

Preço

O valor de produção do GLP de 13 quilogramas (o P-13, mais usado em residências) está congelado desde o início do governo Lula, com os reajustes ocorrendo somente a partir da distribuição. De lá para cá, a inflação medida pelo IPCA teve alta de 25,7% e pelo IGPM de 32%. Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), os custos de produção e refino de GLP P-13 estão crescendo 8,23% ao ano desde 2004 e o subsídio para que esse valor não seja repassado custa ao Brasil cerca de R$ 1,6 bilhão por ano. Pires argumenta que este subsídio gera distorções no mercado. "No Rio de Janeiro e em São Paulo isso gera uma diferença de 61% a 41%, respectivamente, no preço do GLP P-13 e do gás natural, fazendo do último o mais caro." Em Curitiba, um cálculo feito pelo CBIE, a pedido da Gazeta do Povo, revelou que o gás natural sai 28% mais caro, em média, que o GLP P-13 e 12% mais barato que o P-45 (botijão maior utilizado por grande parte dos condomínios e que teve, neste ano, três reajustes, de 15% em janeiro, 10% em abril e 6% em junho). O gás natural tem seu valor reajustado trimestralmente pela Petrobras de acordo com o preço internacional do petróleo e outros indexadores. A Compagás tem segurado o repasse desses reajustes ao consumidor desde julho de 2006.

Os valores utilizados foram de R$ 2,4039 o metro cúbico do gás natural (preço médio dado pela Compagás), R$ 30,7025 o botijão de GLP P-13 (média do último mês segundo a Agência Nacional do Petróleo) e R$ 155 o P-45 (número dado pelo Sindicato dos Revendedores de Gás no Paraná).

De acordo com o engenheiro da Compagás, Mauro Melara, no entanto, o preço de consumo do gás natural pode ser negociado. "O preço do gás natural não é o mesmo de edifício para edifício. Ele depende da negociação feita para a instalação e fornecimento do combustível. Por isso não gostamos de falar em médias de preço e sim avaliar cada caso", explica.

No edifício Gioconda a negociação de instalação com a Compagás resultou em economia. O preço por metro cúbico do condomínio hoje é de R$ 1,875, bem abaixo da média de R$ 2,40. "Usando este exemplo temos o gasto com GLP P-13 equiparado com o gás natural, enquanto o P-45 fica 31% mais caro. Acredito que o consumidor residente em condomínios deve ter a impressão que o gás natural é mais barato do que o GLP porque o condomínio precisa comprar o GLP P-45", afirma o analista do CBIE, Pedro Alerrandro Saccol Mendonça.

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