Centro Rolex de Aprendizado, na Suíça | Sasha Cisar
Centro Rolex de Aprendizado, na Suíça| Foto: Sasha Cisar
  • New Museum, em Nova York: projeto da dupla japonesa
  • Ricardo Alberti

Ganhadora do prêmio Pritzker em 2010, considerado o Nobel da arquitetura mundial, a dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa atua no escritório SANAA há quase 20 anos em um modelo chamado de parceria colaborativa. Tal característica faz com que, nos projetos que desenvolvem em conjunto, seja praticamente impossível distinguir aspectos individuais do trabalho de Kazuyo ou de Ryue.

Com uma arquitetura precisa e fluida e, ao mesmo tempo, delicada e poderosa, os arquitetos exploram como poucos os espaços contínuos, a luz e a transparência por meio de uma arquitetura branca que utiliza materiais comuns do dia a dia. Isso sem deixar de lado as possibilidades da tecnologia contemporânea. A interação dos edifícios com os cenários urbanos também é uma marca da arquitetura da dupla.

Entre as obras que levam a assinatura dos arquitetos japoneses estão o pavilhão de vidro do Museu de Arte de Toledo, em Ohio (EUA), o translúcido prédio da Christian Dior, em Tóquio (Japão), e o Centro Rolex de Aprendizado do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, em Lausanne. Aberto e ondulado, o edifício não tem paredes para separar seus espaços, que são diferenciados por ondulações em um piso contínuo.

Além do Pritzker, os arquitetos – que também assinam projetos individuais –, conquistaram o Leão de Ouro da Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em 2004.

Arquitetura fluida e expressiva

Ricardo Alberti, arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e foi professor da instituição entre 2003 e 2005. É mestrando em Arquitetura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde 2008 é um dos sócios-titulares do escritório Casacinco.

"Em 2012, em uma viagem de férias, fiquei hospedado no Soho de Nova York com alguns amigos. A proposta era deixar de lado os roteiros arquitetônicos, mas, para minha surpresa, ao dobrar uma das esquinas da rua do hotel me deparei com uma empolgante obra do estúdio SANAA, da dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa. Tratava-se do New Museum, edifício cujo acesso envidraçado me convidou a entrar e continuar o passeio por suas alvas galerias dispostas na sucessão de andares.

O arranjo formal e funcional do complexo programa museológico em um edifício vertical propõe um percurso de apreciação das obras de arte que intercala estreitas escadarias (naturalmente iluminadas por aberturas no teto) e espaços expositivos, onde a manifestação artística contemporânea encontra o meio pelo qual a neutralidade da arquitetura é quase sempre requerida.

A inserção do edifício na cidade foi o ponto do projeto que mais me atraiu. Em meio à massa construída no quarteirão, o museu marca seu lugar na cidade de forma discreta, porém com uma curiosa expressividade.

O conjunto da obra produzida pelo estúdio japonês já havia me interessado dois anos antes, quando assisti à uma palestra de Ryue Nishizawa em Curitiba. O edifício do Centro Rolex de Aprendizado, por exemplo, impressiona pela fluidez espacial dentro de um esquema arquitetônico cujas lajes de piso e cobertura desafiam a física e reproduzem uma verdadeira topografia na paisagem."

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