
A madeira retirada de estruturas, revestimentos e móveis de casas antigas demolidas está sendo mais usada na decoração e na construção de novas peças. Segundo os especialistas, o reaproveitamento dessa madeira é mais do que uma atitude ecológica, é tendência por causa da beleza única que o material possui, fruto da influência do tempo e da história que carrega, e de sua interferência natural em ambientes cada vez mais sintéticos e artificiais.
Cada tábua, assoalho, forro, móvel ou viga de madeira retirada de uma casa pode ser reutilizado. O que pode parecer apenas uma ação fruto do pensamento sustentável, já que evita a derrubada de mais árvores, é também uma vantagem na decoração. Em boa parte dos casos, a madeira de demolição é mais forte e mais bonita que qualquer outra largamente comercializada no mercado. Prova disso são os produtos de construções desmanchadas no norte do Paraná, feitas com a peroba-rosa árvore que hoje é dificilmente encontrada na natureza e que produz madeira de alta resistência (maciça) e com veios (desenhos) bem marcados.
Essas características são o sonho de consumo de qualquer profissional de design de interiores e foram valorizadas em projetos de decoração das edições da Casa Cor de São Paulo e de Curitiba deste ano. "O desenho da madeira de demolição é natural, não artificial como o do MDF (placa de fibra de madeira de média densidade cujo "desenho" é impresso por máquinas). Essa naturalidade quebra o clima estático dos ambientes atuais, cheios de aparelhos eletrônicos e materiais sintéticos", diz a arquiteta Vânia Deeke que, em parceria com outra arquiteta, Lia Meger, fez o Loft da Avó Jovem, um espaço da edição paranaense da mostra repleto de referências do material.
Idade
A resistência dessa madeira é fruto da influência do tempo sobre ela. "O tempo é o melhor tratamento. As casas demolidas no norte do estado das quais trago a peroba-rosa têm no mínimo 50 anos de idade. A madeira já está seca e dificilmente trabalha (muda de forma, esgarça ou encolhe)", diz Karen Nóbile, dona de uma movelaria em Curitiba, que leva seu nome.
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TRANSFORMAÇÃO
Para esta edição do caderno de Imóveis, a reportagem convidou o arquiteto Sandro Percicotti para um desafio: encontrar nas demolidoras de Curitiba peças que pudessem ser transformadas em revestimento ou em um móvel. Ele escolheu um portão antigo, que custou R$ 80, e pedaços de madeira (foto 1), por R$ 20, encontrados na demolidora Abace, para ser transformada em uma mesa de 2,10 de comprimento. O trabalho foi executado pela equipe da Karen Nóbile Movelaria. A madeira do portão (de pinheiro) foi cortada e lixada (foto 2), mantendo restos da tinta verde original. As vigas de peroba ganharam a forma dos pés da mesa. A peça recebeu a aplicação de cera de carnaúba.
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APLICAÇÕES PRÁTICAS
Acabamento
Os móveis deste quarto são fabricados por Karen Nóbile Movelaria a partir do reaproveitamento da madeira de demolição, especialmente a peroba. A cama de solteiro tem 1,90 m x 90 cm. Preço: R$ 870. O quadro fixado na parede também usa a madeira (é da artista plástica Leila Alberti e está à venda por R$ 230).
Luxo
O aparador é fabricado com madeira tipo peroba. Medidas: 2,70 m x 70 cm. No Depósito Santa Clara por R$ 3.100.
Detalhe
Criado-mudo estilo provençal feito com madeira de peroba. Medidas: 63 cm x 42 cm x 70 cm. Preço: R$ 540, no Depósito Santa Clara.
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Serviço: Depósito Santa Clara (41) 3013-5222. Demolidora Abace (41) 3296-9999. Demolidora & Mercado Brasil (41) 3369-1691. Guaraúna (41) 3274 2814. Karen Nóbile Movelaria (41) 3015-3830. Sandro Percicotti (41) 3376-8156. Vânia Deeke - (41) 3335-9644.



