
Realizada em um excelente momento para o setor da construção civil, a Concrete Show deste ano maior feira da América Latina de tecnologia em concreto , que aconteceu no fim de agosto, em São Paulo, reafirmou a aposta da indústria em técnicas construtivas mais rápidas, limpas e eficientes, para suprir a necessidade crescente do mercado por novas construções. Durante o evento, a alvenaria tradicional (paredes feitas de tijolos e recobertas de cimento) deu lugar a sistemas cada vez mais elaborados. Quem visitou a feira pôde conferir de paredes feitas no melhor estilo sanduíche a estruturas que mais parecem brinquedos de montar.
Apresentada na edição passada, a construção de paredes inteiramente de concreto por fôrmas voltou a ser o foco principal do evento. Porém, desta vez com mais materiais disponíveis e a expertise de já ter sido aplicada em mais de cinco mil imóveis em todo o país.
O funcionamento do sistema é simples. Apelidado de sanduíche, ele utiliza fôrmas que delimitam o espaço que a parede irá ocupar. Dentro destas fôrmas é despejado o concreto e colocado um gradil de aço (que faz a sustentação da parede). Após a secagem do concreto, as fôrmas são retiradas e a parede está pronta. As tubulações da rede elétrica e hidráulica são feitas antes de o concreto ser colocado. Assim, quando a parede seca, tudo já está pronto.
Para os defensores do sistema, a vantagem é a rapidez na construção. "Calculamos que este modelo causa uma redução de 40% no prazo de entrega da obra em comparação à alvenaria convencional", diz Ary Fonseca Júnior, engenheiro membro da Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP). Segundo ele, apesar de os gastos com materiais serem praticamente os mesmos, existe redução indireta com mão-de-obra. "Este tipo de construção precisa de menos trabalhadores e a mão-de-obra empregada não tem de ser especializada, já que consiste apenas na montagem das fôrmas", diz.
A novidade deste ano é o lançamento de diferentes materiais. Se no ano passado, as de aço eram as únicas opções, neste ano as fôrmas de alumínio e metal dividem a preferência dos engenheiros. Tudo com a mesma qualidade, garante o profissional da ABCP.
Outra aposta apresentada na feira é o sistema de construção por tilt-up. Embora o modelo não seja novo por aqui foi importado dos Estados Unidos ainda na década de 1990 , ele promete voltar com força nos próximos anos. É que, assim como o sistema anterior, permite mais rapidez na obra e menos resíduos construtivos.
Da mesma forma que uma parede de concreto feita com fôrmas, o tilt-up constrói paredes inteiramente de concreto com uma grade de aço que faz a sustentação. A diferença é que esta parede é feita no chão e depois levantada por um guindaste.
Primeiro, o piso em que vai ser feita a parede é tratado para que o concreto não cole. Este piso deve ter o nível mais alto nos locais onde ficarão os vãos de portas e janelas. O concreto é derramado sobre o piso e, depois da secagem concluída, a parede é levantada pelo guindaste e fixada nas fundações. Uma viga de metal colocada em cima da parede faz o papel da fixação final.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (Abesc), que levou o sistema a Concrete Show, com ele é possível reduzir em cerca de 20% o prazo de conclusão de obra, além de também não necessitar de mão-de-obra especializada.
O jornalista viajou a convite da ABCP.




