
Proporcionar outro uso e dar uma nova "cara" a edifícios antigos. Assim pode ser definido o retrofit, técnica arquitetônica de revitalização de espaços que representa cerca de 30% das intervenções em edifícios já existentes em Curitiba, segundo estimativa do arquiteto Orlando Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
A técnica ganha destaque principalmente nos imóveis localizados na região central, onde a alta taxa de ocupação estimula novas utilizações dos edifícios já construídos. Dessa forma, eles têm sua vida útil ampliada por meio da inserção de tecnologias, sistemas modernos e materiais que valorizam as características do imóvel, tornando-as compatíveis aos usos e restrições urbanos atuais.
Diferentemente da reforma intervenção que pode alterar significativamente a edificação existente , e da restauração que recupera ao máximo possível as características originais , o retrofit busca manter as estruturas originais do imóvel alterando os demais elementos. É, portanto, uma alternativa intermediária entre as anteriores. "Trata-se de uma estratégia de intervenção para qualquer tipo de empreendimento. Você pode pegar um barracão industrial e transformá-lo em uma pista de skate coberta, por exemplo. Não importa a vocação que vai dar para o empreendimento, desde que o revitalize", explica Ribeiro.
Milena Schulmeister, arquiteta da Fibonacci Construções Civis, lembra que qualquer melhoria aplicada ao imóvel que preserve suas características, como a troca das janelas de um edifício mantendo padrões de formato e cor, já pode ser considerada retrofit.
Necessidades modernas
A adaptação dos espaços para novos usos, como o corporativo que demanda maior desempenho elétrico e hidráulico , é um dos principais motivadores dos investimentos em obras de retrofit.
Além da manutenção dos espaços, a necessidade de atualização dos imóveis às legislações atuais referentes à acessibilidade, segurança e às normas de desempenho térmico, acústico e energético também entram na lista dos fatores que estimulam a opção pela técnica, inclusive em prédios residenciais. "Antigamente a legislação não era tão rigorosa e, hoje, as necessidades são outras, como internet, tevê a cabo. O retrofit permite a adaptação dos ambientes para responder a esta demanda", diz Milena, que assina dois projetos de retrofit com este perfil.
A arquiteta ressalta, entretanto, que o projeto e a obra devem ser gerenciados por um profissional habilitado arquiteto ou engenheiro que tem o conhecimento técnico necessário para avaliar se o imóvel é candidato ao retrofit ou não, além de executar as alterações da forma adequada e de acordo com a legislação vigente.
Retrofit pensado para valorizar a convivência
A nova sede da Nex Coworking e Inovação é um representativo exemplo de como o retrofit pode renovar um imóvel antigo e dar a ele um ar de modernidade, sem deixar de lado o charme que as décadas passadas imprimiram sobre a construção.
Instalada na antiga sede da Sociedade dos Operários do Batel, a empresa encontrou nos vãos livres do prédio o ambiente que procurava para expandir o negócio, que tem um perfil colaborativo. "Os vãos são importantes para o modelo que propomos. Visitamos outros prédios, alguns até mais novos, mas, quando entramos aqui, percebemos que este era o local. A escolha deste prédio trouxe, inclusive, um novo padrão para o negócio", conta André Pegorer, sócio-fundador do Nex.
A obra de retrofit para adaptar o prédio às necessidades do negócio durou cerca de seis meses, entre a concepção do projeto e o início das operações da empresa. As arquitetas Francis Bergmann Bley e Adriana von Bahten, responsáveis pelo projeto e acompanhamento da obra, contam que procuraram trabalhar de forma com que o retrofit fizesse sentido em relação ao uso anterior. "Na antiga pista de dança estão algumas das estações de trabalho, onde as pessoas continuam se encontrando", diz Adriana. O palco, por sua vez, foi transformado no auditório.
Outras estruturas precisaram ser aprimoradas para comportar o fluxo de pessoas no prédio. Os sanitários passaram de um para oito, enquanto a rede elétrica recebeu reforços para comportar os aparelhos modernos. Também foi criado um acesso lateral para portadores de necessidades especiais e está em processo de instalação um elevador para deslocamento entre os pavimentos, antes feito unicamente pelas escadas. As obras referentes à restauração do prédio, como a conservação da fachada, foram executadas pelo proprietário do imóvel.
Exemplares
O termo retrofit ainda nem era amplamente conhecido quando alguns dos principais pontos turísticos e comerciais de Curitiba receberam intervenções para adaptá-los a novos usos. Confira alguns deles:
Retrofit







