Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Regulamentação

Saiba para onde vai a sobra da sua reforma

Destinar corretamente o lixo resultante de uma obra evita multas. Dependendo do volume, é preciso contratar uma empresa para instalar e transportar as caçambas

Alexandre Blaszezyk, da Usipar Reciclagem: principal problema para a separação está na mistura com lixo orgânico | Hedeson Alves / Gazeta do Povo
Alexandre Blaszezyk, da Usipar Reciclagem: principal problema para a separação está na mistura com lixo orgânico (Foto: Hedeson Alves / Gazeta do Povo)

Qualquer obra, ainda que pequena, produz entulhos que não podem ser destinados ao lixo comum. O volume de resíduos gerados nos canteiros espalhados pela cidade é impressionante. A estimativa é de que em Curi­­tiba e região metropolitana saiam das ruas 3 mil caçambas por dia – cada uma comporta até cinco toneladas de entulho. "Não há um local único para destinação dos resíduos da construção civil. É proibido que a caliça seja enviada aos aterros que recebem o lixo doméstico ou se­­ja depositada em áreas não licenciadas", explica a bióloga da Divisão de Licenciamento Ambiental da Secre­­taria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba (SMMA), Eloísa Wistupa.

Dependendo da quantidade de resíduos gerados, a prefeitura faz o recolhimento. Em construções ou reformas maiores, é necessário contratar uma empresa de transporte de resíduos, que instala e retira caçambas no local da obra. "A responsabilidade pelo lixo gerado é do contratante. Se o transportador destinar para um local inadequado e ficar provado de onde veio o lixo, o dono da obra será multado pelos agentes ambientais", afirma o advogado da Associa­ção dos Transportadores de Resíduos de Curitiba e Região (Acertar), Odair Sanches. De acordo com a SMMA, as multas variam de R$ 250 a R$ 12 mil.

Para evitar transtorno e prejuízo, deve-se verificar a licença ambiental da empresa e investigar qual o destino dado ao material. "Antes de receber autorização para trabalhar, é verificado para onde ela manda os resíduos. As opções são aterros licenciados ou usinas de reciclagem autorizadas pelos órgãos ambientais – Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto Brasileiro do Meio Ambien­te e dos Recursos Naturais Renová­veis (Ibama) e a própria SMMA, se o local estiver em Curitiba", diz Eloísa.

Sanches explica que a maioria das empresas costuma destinar os resíduos para usinas que cobram a partir de R$ 25 para receber cada caçamba. "O material é triturado e retorna para a construção civil", diz o sócio da Usipar Reciclagem, Ale­xandre Graeser Blaszezyk. A empresa, instalada em Almirante Taman­daré, região metropolitana de Curi­tiba, recebe, em média, 50 cargas por dia. "O principal problema enfrentado por locadores e por receptores de resíduos da construção civil é a prática de misturar material. É comum encontrar lixo orgânico", diz.

Para quem loca, o preço do serviço varia de acordo com o tipo de lixo que será depositado e com o tempo de permanência. A média praticada em Curitiba é de R$ 140 para quatro diárias. De acordo com a Acertar, a colocação de lixo doméstico faz subir o valor. "A usina de reciclagem cobra pela separação dos rejeitos e as empresas, seguindo o contrato estabelecido, repassam esse valor ao cliente", afirma Sanches. A taxa pode passar de R$ 500, dependendo da quantidade de lixo comum.

FiscalizaçãoA falta de licença ambiental para a atividade ou a disposição na rua de forma imprópria implicam a apreensão das caçambas. A Urbanização de Curtiba (Urbs) faz a fiscalização. O estacionamento do recipiente segue basicamente as regras de trânsito, de acordo com o Decreto Municipal n.º 1.120/1997. A preferência é para a co­­locação na rua, mas no caso de estacionamento proibido em frente ao prédio, é possível deixá-lo na calçada. Nesse caso, no entanto, é preciso seguir a regulamentação, que obriga à manutenção de uma passagem livre de pelo menos 1,5 metro de largura para os pedestres.

Na Zona Central de Tráfego (ZCT) – que compreende ruas do Centro, São Francisco, Batel, Alto da XV, entre outros bairros –, o rigor para o estacionamento de caçambas é maior e exige autorização prévia da Urbs. De acordo com a tabela do ór­­gão, são cobrados R$ 12 para a instalação, mais o valor do Estaciona­mento Regulamentado (EstaR) de acordo com o tempo de permanência e o número de vagas ocupadas. "O processo de remoção de veículos por estacionamento irregular também vale para as caçambas. No ano passado, foram recolhidas e leiloadas 35 unidades", diz o gestor da área de fiscalização de trânsito da Urbs, Adão José Lara Vieira.

Mas o estacionamento irregular não é o único motivo de apreensão. O Decreto Municipal n.º 816/2010 prevê que as empresas não cadastradas na SMMA podem ter seus equipamentos retirados da rua.

Serviço:

No site da Urbs é possível acessar a lista das empresas cadastradas e licenciadas pela SMMA.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.