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História

Um exemplar da arquitetura de madeira do Paraná

Hoje localizada no Juvevê, casa que abriga a sede do Iphan foi originalmente construída no Portão e transferida para o atual endereço para ser preservada

Características originais da casa construída da década de 1920 foram mantidas. | Fotos: Antônio More/Gazeta do Povo
Características originais da casa construída da década de 1920 foram mantidas. (Foto: Fotos: Antônio More/Gazeta do Povo)

A ampla casa de madeira que abriga a 10ª superintendência regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan) chama a atenção em meio aos prédios de ar contemporâneo do Juvevê. Inaugurada como sede do instituto em 1988, a edificação não foi originalmente construída ali, sendo trasladada para o local com o objetivo de manter viva parte da história arquitetônica de Curitiba.

Datada do início dos anos 1920, a construção foi inicialmente erguida em uma chácara localizada no bairro Portão, na esquina das ruas Guararapes com a Vital Brasil. A residência era a moradia da família do major Domingos Nascimento Sobrinho, delegado-chefe de vigilâncias e capturas, cargo que hoje equivale ao de secretário de Estado de Segurança Pública.

A preservação do exemplar de madeira–que remete ao legado da imigração europeia na capital – foi garantida pelo superintendente do Iphan, José La Pastina Filho, que é arquiteto e especialista em restauro e preservação. Responsável por instalar a regional do instituo na capital no início dos anos 1980, ele viu a propriedade e não hesitou em adquiri-la para receber a sede. “Estava em uma viagem para a Lapa quando vi a casa. Conversei com os herdeiros e negociamos a compra da construção por um preço módico. Então, saí à luta para conseguir um terreno para instalá-la”, lembra La Pastina.

Em contatos com a prefeitura, o superintendente obteve a cessão de uso de três terrenos que haviam sido desapropriados para a canalização do Rio Juvevê, dois de frente para a Rua José de Alencar e um para a Rua Simão Bolívar. Como a legislação determinava o afastamento de oito metros da casa em relação ao eixo do rio, a solução foi instalar a construção em uma das laterais do lote. “Isso foi favorável, pois a posição valorizou o melhor ângulo da casa, além de demonstrar que ela não estava aqui antes”, avalia o superintendente.

Quebra-cabeça

A desmontagem e reconstrução do imóvel durou cerca de um ano e foi realizada pela técnica de levantamento métrico-arquitetônico, ou seja, todas as tábuas foram numeradas para que pudessem serem recolocadas em suas devidas posições. Dessa forma, a casa sofreu pouquíssimas modificações que a adaptaram para o uso institucional, sendo a mais representativa delas o acréscimo do andar de baixo, onde funciona o arquivo, inserido para resolver o declive existente no terreno.

Arquitetura

Com forte influência da imigração europeia, a arquitetura do imóvel dá destaque ao amplo sótão, às varandas e aos adornos em lambrequins – recortes pendentes feitos de madeira que circundam toda construção. Em cada cômodo também nota-se a presença de barras decorativas com motivos frutíferos, florais e geométricos, modismo da época da construção, que dão a sensação de rebaixar o teto de quatro metros de altura. “A casa é um dos exemplares mais evoluídos da arquitetura popular da madeira do Paraná”, avalia La Pastina.

A casa [sede do Iphan] é um dos exemplares mais evoluídos da arquitetura popular da madeira do Paraná.

José La Pastina Filho, superintendente do Iphan.

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