Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Negociação

Você é adepto da permuta?

Trocar um imóvel com outro proprietário ou, tecnicamente, permutar, é uma alternativa de negócio para quem tem pressa e não tem dinheiro. No entanto, ela é pouco usada. O principal motivo é o conflito de interesses que pode surgir na negociação, que tem de agradar os dois lados para ser bem sucedida.

Essa modalidade, também conhecida de escambo (troca direta de mercadorias) é uma das mais antigas do mundo. Atualmente, no mercado imobiliário existem duas formas de permuta: com e sem torna. A chamada sem torna não envolve dinheiro na negociação, porém, a maneira mais comum é quando parte do pagamento (com torna) é feita com recursos financeiros. Mas há também quem use veículos e títulos de capitalização como moeda de troca.

O vice-presidente de Comercialização Imobiliária do Sindicato de Habitação e Condomínios (Secovi-PR), Marcos Machado, diz que, de cada cem negócios, entre 10% e 15% são de permuta com parte do pagamento em dinheiro. Já a troca sem torna representa 1% a cada cem negócios. "Essa modalidade é mais difícil porque os dois proprietários têm de aceitar o imóvel e o seu valor", explica.

No entanto, Machado concorda que a permuta é vantajosa para quem não tem muito dinheiro para investir ou ainda tem pressa na negociação, já que, sem a troca, a pessoa teria de esperar vender o imóvel para partir para uma futura compra. Ele conta que, para as imobiliárias, não há problemas. Machado lembra, porém, que é necessário deixar claro no contrato as condições da negociação e os custos para evitar problemas. Sempre será necessário uma escritura de permuta e dois registros, no caso de um acordo que envolva dois imóveis.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, diz que a melhor maneira para fazer um bom negócio na compra da casa própria ainda é ter paciência, planejamento e dinheiro na mão, porque assim há maior poder de negociação. Ele calcula que quando um imóvel é usado como entrada na compra de outro, sofre uma desvalorização em torno de 10%. "Se o bem tem um valor de R$ 100 mil, uma perda de R$ 10 mil é considerável", avalia. No entanto, ele concorda que, para quem tem pressa, é uma opção.

Comissão

O economista também recomenda muita cautela para o comprador neste tipo de acordo. "Fazer uma investigação em cartório, ver se o IPTU foi pago e observar as características e estrutura da região são alguns cuidados", afirma.

O diretor secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci-PR), Mariano Dynkowski, orienta que as partes permutantes são responsáveis pelo pagamento de comissão de 6% sobre o porcentual de cada imóvel. "Este valor segue uma tabela", esclarece, pois trata-se de uma venda normal.

Para o diretor, a permuta é uma maneira alternativa de compra e venda, mas não acontece todo dia. Muitas vezes, diz ele, esta negociação pode ser vista como um "casamento forçado", porque algumas pessoas não gostam tanto da propriedade, mas se sujeitam a permutar porque não querem mais ficar no imóvel antigo.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.