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Aprender a pensar na era das informações

Educação midiática e socioemocional

Imagem Freepik (Foto: rawpixel.com)

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O acesso à informação faz parte da rotina de praticamente todas as crianças e adolescentes brasileiros. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 93% deles utilizam a internet e cerca de 28% começam antes mesmo dos seis anos de idade. Em um contexto marcado pela hiperconectividade, desenvolver a capacidade de diferenciar fatos de conteúdos enganosos tornou-se uma habilidade essencial, especialmente quando se trata de informações relacionadas à saúde e à alimentação, que podem influenciar comportamentos e decisões cotidianas.

Levantamento do Instituto Locomotiva aponta que oito em cada dez brasileiros já acreditaram em notícias falsas em algum momento. O dado evidencia o quanto estamos expostos à desinformação e reforça a necessidade de fortalecer a educação midiática desde os primeiros anos escolares.

Mais do que identificar conteúdos falsos, a educação midiática também está profundamente relacionada ao desenvolvimento socioemocional. Ao aprender a questionar informações, refletir antes de compartilhar conteúdos e considerar as consequências de determinadas mensagens, crianças e adolescentes exercitam habilidades como pensamento crítico, responsabilidade, empatia e tomada de decisão consciente.

Esse tipo de aprendizagem contribui para que os estudantes desenvolvam maior autonomia diante do grande volume de informações que circula no ambiente digital. Ao compreender como determinados conteúdos podem ser manipulados ou distorcidos, eles passam a lidar com mais segurança com mensagens que muitas vezes geram medo, pressão social ou expectativas irreais, especialmente quando envolvem temas como saúde, alimentação e padrões de comportamento.

No Colégio Sesi Internacional Portão, nos Anos Iniciais do Projeto Bilíngue, esse trabalho é desenvolvido por meio das Trilhas Lekto, uma disciplina voltada ao desenvolvimento de competências socioemocionais e do pensamento crítico. A proposta integra reflexões sobre o cotidiano digital às atividades pedagógicas, incentivando os estudantes a investigar informações, dialogar com os colegas e construir argumentos fundamentados.

Em uma das trilhas trabalhadas com estudantes do 5º ano, o tema das fake news relacionadas à alimentação e à saúde foi explorado a partir de exemplos que circulam frequentemente nas redes sociais, como promessas de alimentos “milagrosos” ou dietas divulgadas sem embasamento científico. A partir dessas situações, os alunos foram convidados a analisar conteúdos, comparar fontes e discutir coletivamente a confiabilidade das informações.

O estudante Bernardo Zamoner, do 5º ano, conta que a experiência ajudou a perceber que nem tudo o que circula nas redes sociais pode ser considerado verdadeiro. “Quando vejo uma informação na internet, eu procuro pesquisar em outros sites para ver se aquilo aparece em mais lugares. Também observo se tem o nome de quem escreveu, a data ou alguma fonte confiável. Isso ajuda a entender melhor se a notícia pode ser verdadeira ou não”, explica.

O estudante também destaca que as notícias falsas podem provocar sentimentos como medo e insegurança, especialmente quando envolvem temas relacionados à saúde e à alimentação. Durante as discussões em sala, ele mencionou exemplos que aparecem com frequência nas redes sociais, como afirmações de que determinados alimentos poderiam causar doenças graves. “Às vezes aparece que comer alguma coisa pode fazer muito mal ou até causar doenças. Isso pode deixar as pessoas com medo, mesmo quando a informação não é verdadeira”, comenta.

Durante as atividades, os estudantes produziram histórias em quadrinhos, realizaram pesquisas e participaram de discussões sobre dilemas relacionados ao tema. Essas experiências favorecem a troca de ideias entre os colegas e ampliam a consciência sobre o impacto que a circulação de informações pode ter na vida das pessoas.

Além de estimular o pensamento investigativo, esse tipo de prática contribui para o fortalecimento das competências socioemocionais. Ao refletir sobre as consequências de compartilhar conteúdos falsos ou enganosos, os estudantes desenvolvem senso de responsabilidade e ampliam sua capacidade de agir de forma ética no ambiente digital.

Nesse sentido, a escola assume um papel fundamental na formação de leitores críticos e cidadãos conscientes. Ao promover espaços de diálogo, investigação e reflexão, a educação contribui para que crianças e jovens compreendam que informação também exige cuidado, análise e responsabilidade.

Em um mundo cada vez mais conectado, aprender a interpretar conteúdos, questionar fontes e refletir antes de compartilhar informações torna-se uma competência essencial para a vida em sociedade. Mais do que acessar dados, é preciso desenvolver a capacidade de compreender, avaliar e utilizar as informações de forma consciente e responsável.

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