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Em um país marcado por desigualdades históricas no acesso à educação, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) emerge como uma poderosa ferramenta de resgate da cidadania e promoção da justiça social. Direcionada para aqueles que, por diferentes razões, não puderam concluir seus estudos na idade regular, a EJA significa mais do que uma oportunidade de aprendizado: é uma chance de reconstruir trajetórias, desenvolver o entendimento e fortalecer a autoestima. Em tempos de transformações sociais e tecnológicas, garantir o direito à educação para todos é essencial para construir uma sociedade mais equitativa, participativa e preparada para os desafios do futuro.
Os alunos da EJA enfrentam uma série de obstáculos que vão muito além da sala de aula. Muitos conciliam os estudos com longas jornadas de trabalho, responsabilidades familiares, experiências anteriores malsucedidas e, em alguns casos, dificuldades financeiras que tendem a comprometer ou dificultar a permanência na escola. Além disso, o retorno ao ambiente escolar após anos de afastamento pode gerar insegurança, baixa autoestima e resistência ao uso de novas tecnologias, especialmente entre os mais velhos. Superar esses desafios exige não apenas investimento, mas também empatia, acolhimento e estratégias pedagógicas que respeitem as trajetórias de vida desses estudantes e leve em consideração as particularidades de cada um, proporcionando um ambiente de acolhimento e aprendizado.
Para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais significativo na Educação de Jovens e Adultos, as metodologias ativas têm se mostrado ferramentas poderosas. Estratégias como aprendizagem baseada em projetos, rodas de conversa, estudos de caso, uso de tecnologias digitais e o reconhecimento de saberes colocam o aluno no centro do processo, valorizando suas experiências de vida e promovendo a construção coletiva do conhecimento. Ao encorajar a participação ativa, o pensamento crítico e a resolução de problemas reais, essas abordagens ajudam a romper com modelos tradicionais e favorecem a autonomia dos estudantes. Além disso, o uso de recursos audiovisuais, aplicativos educativos e ambientes virtuais de aprendizagem pode ampliar o acesso e a motivação, especialmente entre aqueles que conciliam os estudos com outras responsabilidades.
A presente proposta nasceu da urgência de promover a inclusão e o engajamento dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reconhecendo suas trajetórias singulares e suas potências muitas vezes invisibilizadas. Inspirados pela metáfora da “Árvore dos Sonhos”, propomos no Colégio Sesi da Indústria de União da Vitória, um espaço de escuta ativa e acolhimento, onde cada estudante pode expressar seus anseios, dúvidas, medos e sonhos. Para tanto, partimos de uma conversa inicial com os estudantes, onde abordamos a trajetória de cada um, os motivos que os fizeram parar seus estudos, os motivos para retornarem, seus sonhos e planos. Após esse momento de acolhimento, convidamos todos os participantes a repensarem subjetivamente sobre quem cada um é e seu papel no mundo. Feita a sensibilização, nossos estudantes foram convidados a anotar seus sonhos em pequenas mãos de papel e fixa-las junto à nossa “Árvore de sonhos”.
Mais do que uma atividade simbólica, a construção dessa “árvore” representou o primeiro passo para um plano de acompanhamento pedagógico e emocional que respeita os ritmos, desejos e necessidades de cada participante. Ao dar voz aos estudantes, buscamos fortalecer vínculos, ampliar horizontes e reafirmar que a educação é, acima de tudo, um território de possibilidades.



