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Há mais de 25 anos, o Ler e Pensar (LeP) contribui para transformar realidades educacionais por meio da leitura, da informação e das mídias, incentivando práticas que favorecem o protagonismo e a formação cidadã dos estudantes. Anualmente, o projeto mobiliza professores por meio da Ação Premiada, iniciativa que reconhece experiências pedagógicas significativas. Em 2026, a proposta foi “Leitura, Mídias e Ação – Conectando Infâncias e Juventudes Ativas”.
No Colégio Estadual Emílio de Menezes, a professora Jhenifer desenvolveu o projeto “Eu Não Desisti de Mim: da leitura de mundo ao protagonismo estudantil na EJA”, com uma turma da EJA de Ensino Médio formada por jovens, adultos e idosos de diferentes idades e trajetórias. A iniciativa surgiu da necessidade de fortalecer a confiança dos estudantes para expressar opiniões, interpretar criticamente a realidade e reconhecer o valor de suas próprias histórias.
A prática começou com rodas de conversa sobre trabalho, família, dificuldades enfrentadas durante a vida escolar e motivos que levaram os discentes a retomarem os estudos. Em seguida, notícias, reportagens, imagens, vídeos e músicas serviram de ponto de partida para discutir temas como desigualdade social, cidadania, preconceito, direitos humanos e diversidade cultural. As atividades estimularam a análise das informações e a reflexão sobre a influência das mídias na compreensão do mundo.
Os debates também foram relacionados às ideias de Paulo Freire, Carolina Maria de Jesus e Karl Marx. A leitura de trechos da obra 'Quarto de Despejo', de Carolina Maria de Jesus, possibilitou conversas sobre pobreza, exclusão social, dignidade humana e invisibilidade. Além disso, os estudantes produziram textos, desenhos e registros visuais sobre suas experiências, seus desafios e seus sonhos, relacionando os conteúdos de Sociologia à própria realidade.
Um dos destaques foi a produção coletiva do vídeo “Eu Não Desisti de Mim”, que reuniu relatos sobre sonhos, expectativas e a importância da educação. A iniciativa culminou no evento “Café Sociológico: Mural das Vivências – A Sociologia da Vida Real”, organizado pelos próprios estudantes e realizado com a participação da comunidade escolar, representantes do Núcleo Regional de Educação e convidados. A programação incluiu palestras e rodas de conversa com pessoas que compartilharam histórias de superação e retomada dos estudos, além de momentos culturais, música e homenagens.
Ao longo do projeto, a professora observou maior participação nos debates, ampliação da oralidade e mais confiança para compartilhar opiniões e experiências. Entre os resultados mais marcantes estão os novos objetivos expressos pelos participantes após o encontro: uma estudante de 79 anos manifestou o desejo de cursar Psicopedagogia, enquanto outra, com mais de 60 anos, compartilhou o sonho de se tornar professora de Língua Portuguesa. Outros estudantes também demonstraram interesse em continuar a formação por meio de cursos técnicos e de graduação.
O desenvolvimento da prática contou com materiais do tema anual do Ler e Pensar, conteúdos da Gazeta do Povo, Dicas Pedagógicas e propostas do Leitores em Ação, que apoiaram atividades de leitura, análise crítica e produção autoral.
Parabenizamos a professora Jhenifer pela iniciativa de transformar a leitura e o diálogo em oportunidades de valorização e protagonismo na EJA. Ao reconhecer as experiências de cada estudante e incentivar novos sonhos, sua prática demonstra que a educação pode fortalecer vínculos, ampliar horizontes e abrir caminhos para novas possibilidades de vida.



