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Há mais de 25 anos, o Ler e Pensar (LeP) contribui para transformar realidades educacionais por meio da leitura, da informação e das mídias, incentivando práticas que favorecem o protagonismo e a formação cidadã dos estudantes. Anualmente, o projeto mobiliza professores por meio da Ação Premiada, iniciativa que reconhece experiências pedagógicas significativas. Em 2026, a proposta foi “Leitura, Mídias e Ação – Conectando Infâncias e Juventudes Ativas”.
Na categoria Ensino Médio, o professor João Marcos Brandet, do Colégio Estadual Dr. Gabriel Carneiro Martins, desenvolveu com estudantes do 2° ano a prática: “Física que Transforma: inovação, empatia e protagonismo estudantil”, que integrou conhecimentos de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências/Biologia e Física.
A proposta partiu da questão: “Como a Física e a tecnologia podem contribuir para tornar a sociedade mais inclusiva?”. Com rodas de conversa sobre acessibilidade e a leitura de reportagens, textos científicos e notícias sobre tecnologias assistivas, os estudantes conheceram diferentes barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência visual, deficiência intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O percurso também incluiu a análise de informações encontradas em diferentes mídias, com atenção à confiabilidade das fontes e à identificação de possíveis desinformações.
Depois de compreender os desafios, os grupos escolheram problemas que poderiam ser enfrentados por meio da tecnologia. A etapa de planejamento envolveu pesquisa de materiais, elaboração de esboços e definição dos conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para cada proposta. Os estudantes passaram a aplicar conceitos de Física, programação, eletrônica e design.
Entre as soluções desenvolvidas estiveram:
- Muleta inteligente produzida com materiais recicláveis, sensores ultrassônicos e Arduino Uno para auxiliar pessoas com deficiência visual;
- Luva sensorial capaz de detectar obstáculos por meio de sensores e alertas vibratórios;
- Jogos digitais adaptados para estudantes com deficiência intelectual;
- Jogo de Matemática personalizado considerando os hiperfocos de estudantes com TEA;
- Colar inteligente para identificação de obstáculos e rastreamento por GPS destinado a pessoas com deficiência visual;
- Jogo educativo de frutas em Língua Inglesa voltado para crianças com deficiência intelectual;
- Plataforma digital ‘Inclusão Móvel’, que auxilia famílias a localizar escolas inclusivas em Londrina a partir do CEP informado. A plataforma foi construída com recursos de acessibilidade, incluindo tradução automática em Libras, audiodescrição e um jogo educativo acessível.
A apresentação dos projetos durante a mostra da IFA – Física e Tecnociência levou os estudantes a compartilharem suas descobertas com a comunidade escolar. Além de demonstrar o funcionamento das soluções, os grupos explicaram os problemas investigados, defenderam suas escolhas e discutiram possibilidades de aperfeiçoamento. O momento evidenciou o desenvolvimento da comunicação científica e a percepção de que os conhecimentos podem ser utilizados para necessidades e desafios da sociedade.
A prática também modificou a relação da turma com a tecnologia. Os estudantes, que inicialmente demonstravam interesse principalmente pelo consumo de recursos tecnológicos, passaram a utilizá-los como ferramentas de investigação e criação. Ao longo do projeto, foram observados avanços na autonomia para pesquisar e selecionar informações, no trabalho em grupos e na capacidade de fundamentar decisões. O contato com diferentes realidades também ampliou a percepção sobre acessibilidade e fortaleceu a empatia.
Para desenvolver a ação, o professor contou com a Gazeta do Povo, os Materiais do Tema do Ano 2026, as Dicas Pedagógicas, o Material Bases de Leitura da Conecta LeP, as Lives, os Leitores em Ação, os Cursos EaD e as Matérias de Cidadania Digital. O material “Leitura, Mídias e Ação: conectando infâncias e juventudes ativas” teve papel central na organização da prática, nas discussões sobre leitura crítica, alfabetização midiática e informacional, protagonismo juvenil e participação cidadã.
A experiência mostra que o trabalho com tecnologia pode ir além do domínio de ferramentas. Ao investigar problemas reais e desenvolver recursos para ampliar a acessibilidade, os estudantes tiveram a oportunidade de compreender a ciência como instrumento de transformação social, colocando seus conhecimentos a serviço de uma sociedade mais inclusiva.
Parabenizamos o professor João pela prática desenvolvida e pelo trabalho de orientar os estudantes na transformação de conhecimentos científicos e tecnológicos em soluções voltadas à inclusão e à acessibilidade.



