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A formação de leitores críticos tem se tornado uma das principais demandas da educação contemporânea. Em uma sociedade marcada pela circulação acelerada de informações, opiniões e conteúdos produzidos em diferentes plataformas digitais, compreender, analisar e posicionar-se diante da realidade são competências cada vez mais necessárias. Nesse contexto, a escola é desafiada a ir além da transmissão de conteúdos, promovendo experiências que desenvolvam autonomia intelectual, capacidade argumentativa e participação cidadã.
Essa necessidade se torna ainda mais evidente no Ensino Médio, especialmente na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), cuja proposta de redação exige que os estudantes interpretem diferentes fontes de informação, construam argumentos consistentes, repertório sociocultural e apresentem soluções para problemas sociais. Mais do que dominar regras gramaticais, os jovens precisam aprender a investigar, selecionar evidências e sustentar pontos de vista de forma crítica e fundamentada.
Sob essa óptica, a relevância do desafio é destacada em reflexões recentes sobre educação e pesquisa. Desse modo, os estudantes realizaram leitura ativa do artigo publicado na Gazeta do Povo, da pesquisadora e professora Luciana Faria, que defende a pesquisa científica na Educação Básica e sua contribuição para o desenvolvimento do pensamento investigativo, estimulando os estudantes a formular perguntas, levantar hipóteses, analisar informações e comunicar conclusões. Segundo a autora, ensinar o comportamento pesquisador significa desenvolver a intelectualidade e cultivar uma postura crítica e reflexiva diante do mundo.
Partindo dessa perspectiva, a unidade de Dois Vizinhos do Colégio SESI desenvolveu uma prática pedagógica nas aulas de Língua Portuguesa voltada ao fortalecimento da leitura crítica e da produção de textos dissertativo-argumentativos. A proposta teve como objetivo aproximar os estudantes dos processos de investigação que antecedem a escrita, compreendendo a redação não apenas como um exercício avaliativo, mas como uma forma de interpretar a realidade e participar dos debates sociais contemporâneos. Utilizando os textos da Gazeta do Povo e os materiais do projeto Ler e Pensar.
A ação envolveu estudantes do último ano do Ensino Médio em um percurso de leitura, pesquisa e escrita baseado em temas de relevância social frequentemente abordados pelo ENEM. O trabalho teve início com a análise de reportagens, artigos de opinião, estudos e dados estatísticos publicados pelo veículo de comunicação. A partir dessas leituras, os alunos foram incentivados a formular questionamentos, identificar diferentes perspectivas sobre os temas e avaliar a confiabilidade das informações encontradas.
Na etapa seguinte, os estudantes organizaram repertórios socioculturais, construíram mapas de argumentos e participaram de rodas de discussão mediadas pela professora. Somente após esse processo investigativo iniciavam a produção textual, buscando relacionar evidências, argumentos e propostas de intervenção de maneira coerente e consistente.
Um dos diferenciais da prática foi compreender a escrita como resultado de um processo de pesquisa e reflexão. Em vez de focar exclusivamente na estrutura formal da redação, as atividades priorizaram a construção do pensamento crítico, a análise de informações e a capacidade de estabelecer relações entre diferentes conhecimentos. Dessa forma, leitura, pesquisa e produção textual passaram a funcionar de maneira integrada e interdisciplinar.
Os resultados observados indicaram avanços na qualidade argumentativa das redações, maior repertório na discussão de temas sociais e ampliação da participação dos estudantes em debates e atividades de leitura. Também foram identificadas melhorias na capacidade de análise de fontes, na organização de ideias e na construção de posicionamentos fundamentados, competências diretamente relacionadas às exigências da redação do ENEM e à formação cidadã.
Mais do que preparar estudantes para um exame, experiências como essa evidenciam a importância de desenvolver competências que permanecerão relevantes ao longo da vida. Em um contexto de excesso de informações e rápidas transformações sociais, aprender a pesquisar, questionar e argumentar torna-se tão importante quanto aprender conteúdos específicos.
Ao aproximar a investigação da leitura e da escrita, a escola contribui para a formação de jovens capazes de compreender a complexidade dos problemas contemporâneos e participar de forma crítica e responsável da sociedade. Nesse sentido, o pensamento investigativo deixa de ser uma prática restrita à pesquisa científica e passa a constituir uma ferramenta essencial para a aprendizagem, a cidadania e a construção do conhecimento.



