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Planejar é uma prática presente no dia a dia de todo docente. Envolvendo desde objetos de conhecimento até estratégias metodológicas e avaliações que serão executadas durante determinado período letivo, um planejamento de qualidade contribui não apenas para o processo de aprendizagem dos estudantes, mas para a rotina e organização do professor.
É comum docentes desenvolverem seu planejamento individualmente uma vez que o planejamento é tradicionalmente elaborado por componente curricular. Porém, cada vez mais nota-se a necessidade de integrar essa prática uma vez que a educação contemporânea é focada no desenvolvimento de competências e habilidades voltadas para a aplicabilidade no contexto social do indivíduo e resolução de problemas multidisciplinares.
Por conta disso, alguns docentes têm adotado o planejamento integrado por área do conhecimento, que busca conectar os diferentes componentes curriculares dentro de uma mesma área, como Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Essa prática pedagógica envolve professores de diferentes componentes curriculares trabalhando juntos para desenvolver planejamentos alinhados na área do conhecimento. Na Escola Sesi de Referência Internacional de Londrina, por exemplo, os professores de Química, Biologia e Física vem realizando o planejamento integrado da área de Ciências da Natureza, promovendo a interdisciplinaridade e a contextualização do aprendizado.
Até 2018 não havia um documento nacional único, de caráter normativo que detalhasse os conteúdos e habilidades obrigatórios para toda a Educação Básica no Brasil. A base era formada por documentos orientadores como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), onde a interdisciplinaridade e integração entre áreas estava presente como princípio orientador e era incentivada, mas não passava de uma sugestão que instituições de ensino e docentes podiam adotar em suas práticas ou não, então muitas vezes o ensino disciplinar e fragmentado prevalecia. Com a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a interdisciplinaridade passou a ser um eixo estruturante pois o documento organiza o currículo em áreas de conhecimento e propõe o ensino de forma integrada. Isso faz com que a educação contemporânea deva ser focada em conhecimentos reais, que se relacionem com problemas atuais e estejam contextualizados em situações de ensino e aprendizagem concretas, capazes de estimular novas descobertas, além de colocar aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem no desenvolvimento de competências e habilidades para integrar os saberes escolares à realidade que o cerca. Hoje está claro que a abordagem fragmentada de conteúdos curriculares dificulta essa conexão dos saberes com o cotidiano e com o todo que é a vivência integral de um ser humano.
Portanto, a construção do planejamento escolar deve considerar qual sentido o conhecimento a ser construído tomará na vida do educando e quais conexões serão estabelecidas entre os conteúdos curriculares. Essas conexões entre os conhecimentos devem ser consideradas e planejadas intencionalmente para que os estudantes as concretizem a partir das ações de ensino e aprendizagem. Assim, a organização interdisciplinar dos componentes curriculares e o planejamento integrado se tornam artifícios para a consolidação da competência pedagógica de uma equipe docente no desenvolvimento de estratégias colaborativas.



