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Diálogo com a Escrita Infantil

Produção Engajadora: IA e Produção Textual

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163%. Essa é a porcentagem do quanto o uso da Inteligência Artificial (IA) cresceu na indústria brasileira nos últimos anos, considerando os dados recentes do IBGE. Esse dado proporciona o seguinte recorte da atualidade: a presença da IA, nas mais diversas esferas da sociedade, está reorganizando relações profissionais, modos de produção e, inclusive, formas de aprendizagem. Sob essa perspectiva, é possível refletir: às escolas, como preparar crianças para desenvolver uma escrita crítica, criativa e consciente nesse mundo imerso pela tecnologia e pelos algoritmos? Essa é a questão orientadora de grandes debates educacionais de hoje e desafia as práticas pedagógicas do futuro.

Especialmente na alfabetização e ao longo dos anos iniciais do Ensino Fundamental, o processo de escrita exige, em um primeiro momento, o domínio técnico. Esse domínio começa ainda na Educação Infantil, com o desenvolvimento da motricidade fina, da coordenação visomotora, da consciência fonológica introdutória e lúdica, própria das primeiras descobertas. A partir desses pilares, os(as) estudantes iniciam uma etapa construtiva: a ascensão gradual aos níveis mais complexos da escrita, que envolvem contextualização, interpretação e experienciação crítica do texto: escrever é tecer. E, embora a ascensão tecnológica permita amparo e atalhos para organizar ideias e solucionar pequenas dúvidas, nenhum método digital substitui por completo a singularidade da intencionalidade, do rascunho, da leitura, da reescrita, da escuta e da reflexão vivenciadas no processo de escrever, pensando-se como movimentos essenciais na formação de autores/escritores conscientes do mundo à sua volta.

Dentro desse movimento, quando se pensa o tecer do texto – como bem domina Marina Colassanti –, é preciso mobilizar estratégias pedagógicas capazes de favorecer a articulação intencional das ideias e a construção de sentidos, permitindo que os(as) estudantes unam, organizem e relacionem palavras e enunciados na formação da macroestrutura textual. Nesse viés, trabalhar rimas, jogos de palavras, tradução – quando o caso do trabalho bilíngue – e clareza argumentativa possibilita que as crianças compreendam que a escrita é um processo contínuo e não um mero produto.

A criatividade Maker também caminha com a tecnologia. No Colégio Sesi Internacional Portão, essa ação foi desenvolvida no estudo e no trabalho com a IA de textos Copilot, da Microsoft. Em um projeto que busca essa cultura, os(as) alunos(as) exploraram a escrita como espaço de criação genuína, em que os 2º e 3º anos, no estudo de quadrinhas e rimas, exploraram a discussão na sugestão de rimas e no questionamento dos sentidos. Já nos 4º e 5º anos, os alunos avançam para a criação de prompts dentro do uso bilíngue da escrita poética, percebendo como pequenas escolhas podem alterar ritmo, estilo e intenção comunicativa.

Observou-se que as crianças aguçaram a capacidade de perceber a musicalidade tanto na poesia como na quadrinha e, ainda, um comentário muito comum foi: “essa sugestão não combina com o tema/som”. Nessa lógica, verificou-se como surgiu maior segurança na experimentação das palavras, compreendendo que o mínimo detalhe poderia alterar todo o sentido de um prompt e de um resultado e, acima de tudo, eles(as) perceberam os limites dessa IA.

Assim, essas experiências demonstram que, quando a IA é integrada com sensibilidade crítica e pedagógica, vivenciando ainda a cultura Maker, ela não rouba a cena, mas, ao contrário, vigora o cenário no qual as crianças podem experimentar a linguagem, tarefa vital dentro do processo de alfabetização e da literacia.

Por fim, em um mundo de constante mudança, essa formação é indispensável, seja para o trabalho do futuro, seja para as relações pessoais do futuro, sabendo que o pensamento e a criatividade permanecerão sendo as habilidades mais humanas que existem em nós.

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