Tóquio (AFP) Há 60 anos, o mundo descobria o apocalipse nuclear em Hiroshima e em Nagasaki, primeiros e únicos alvos da bomba atômica, mas a ameaça ainda não desapareceu. Capital mundial do pacifismo, a cidade de Hiroshima (sul do Japão) lembra hoje o dia em que o planeta entrou na era nuclear. Outras solenidades ocorrerão três dias mais tarde em Nagasaki (sul).
Foi no dia 6 de agosto de 1945, às 8h15 exatamente, em uma hora de grande movimento, que o bombardeiro B29 norte-americano "Enola Gay" lançou a bomba A sobre Hiroshima. A bomba explodiu a 600 metros de altitude, arrasando instantaneamente a cidade.
Cerca de 140 mil pessoas mais da metade da população da cidade em 1945 morreram imediatamente e nos meses que se seguiram, vítimas da radiação ou de queimaduras extremas. No dia 9 de agosto, 80 mil pessoas morreram no segundo bombardeio atômico sobre Nagasaki.
Mas, apesar de os "hibakushas" (sobreviventes irradiados) e de os mais idosos e políticos comprometidos formularem votos de paz durante as cerimônias de homenagem aos mortos, as armas nucleares continuam a ameaçar a segurança internacional, como provam as crises norte-coreana e iraniana.
País vizinho do Japão, a Coréia do Norte vangloriou-se em fevereiro passado de possuir a arma atômica. O desmonte de seu programa nuclear está atualmente no centro das negociações muito difíceis em Pequim, com a China, os EUA, a Coréia do Sul, o Japão e a Rússia.
O prefeito de Nagasaki, Iccho Ito, exortou Pyongyang a abandonar suas ambições nucleares, pelo bem da região, "para que todo o mundo saiba que essas armas são muito perigosas, que podem erradicar a raça humana num instante".
Pouco depois, o Irã anunciou a retomada de seu programa de enriquecimento de urânio, questionando o acordo de Paris arrancado pela União Européia após vários meses de discussões em novembro de 2004.
Mais preocupante ainda para a comunidade internacional é o risco de um "11 de setembro nuclear" recentemente evocado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na hipótese de a arma atômica vir a cair nas mãos de terroristas.



