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Meio ambiente

A Amazônia além da fronteira

Curitiba – Imagine que boa parte da Amazônia está fora do território brasileiro, ou seja, 46,6% de floresta distribuídos entre oito países da América Latina. Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela compartilham e têm responsabilidade pela nascente de vários rios da bacia Amazônica que desembocam no Brasil. A falta de uma política integrada para a preservação e uso sustentável da maior floresta do mundo preocupa especialistas em meio-ambiente.

Os problemas são semelhantes em alguns países. Desmatamento, tráfico de drogas e animais, ocupação ilegal de terras, entre outros. Na Bolívia, há plantio de soja na região de Pando na região amazônica, diz o colombiano Luis Aragón, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará.

Mas os bolivianos têm exemplos isolados de política de concessões para empresas que utilizem técnicas corretas de manejo, além de projetos comunitários para o uso sustentável dos recursos, cita Amaral.

Na Venezuela, Peru e Guiana, a exploração de ouro leva à contaminação dos rios com substâncias como o mercúrio, comenta Aragón. "São problemas específicos de cada região, mas que afetam o Brasil diretamente." No Peru, ainda existe uma percepção atrasada de que a Amazônia é a solução para os problemas econômicos que o país enfrenta, ou seja, o discurso da preservação está distante, analisa.

No Equador, o que se vê são conflitos para a exploração de petróleo que está concentrada em reservas da floresta amazônica, diz Aragón. "Se discute ainda formas originais de explorar recursos naturais sem agredir o meio ambiente."

Situação bastante preocupante é o caso da Colômbia apontam os especialistas. "Lá, a guerrilha toma conta de boa parte da Amazônia para cultivar coca." Além disso, o desmatamento dá espaço à agropecuária, diz Aragón.

As comunidades da Amazônia na Colômbia se sentem assediadas para o tráfico, por isso a necessidade de se criar alternativas à exploração de recursos naturais, opina Paulo Amaral, pequisador do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Apesar de considerar uma conquista o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), firmado em 1978 pelos países que compõem a floresta, Aragón acredita que ainda não se conseguiu avanço, mas existem planos estabelecidos até 2012. "É preciso tentar identificar os princípios básicos para regular o uso dos recursos naturais. Além de inventariar o que se tem para estipular programas específicos."

"Os requisitos de controle são semelhantes para todos os países. A fronteira na Amazônia é ‘imaginária’ porque os cuidados devem ser iguais para toda a região", argumenta Amaral. O TCA precisa criar institucionalidades locais no longo prazo e ampliar a cooperação entre os países-membros, diz. "O desafio será a política para a Amazônia sair dos gabinetes para a floresta."

Para a secretária-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Rosalía Arteaga Serrano, o fato de a entidade ter fixado uma secretaria em Brasília desde 2002 foi um ganho. "Nestes anos demos passos importantes com o plano estratégico com metas estabelecidas até 2012. A perspectiva de integração política é positiva. Temos vários projetos, como o de gestão dos recursos hídricos e proteção da biodiversidade, que estão bem encaminhados", diz Rosalía.

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