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Medicina

A deusa da regeneração

Salamandra mexicana de aparência bizarra é a grande esperança de cientistas para ajudar pessoas que sofreram amputação

A salamandra da espécie Ambystoma mexicanum, considerada na mitologia um deus asteca transformado: anfíbio se transformou no “queridinho” dos pesquisadores por sua capacidade de regenerar membros, pele, órgãos e partes do cérebro | Wikimedia Commons
A salamandra da espécie Ambystoma mexicanum, considerada na mitologia um deus asteca transformado: anfíbio se transformou no “queridinho” dos pesquisadores por sua capacidade de regenerar membros, pele, órgãos e partes do cérebro (Foto: Wikimedia Commons)

Cidade do México - A capacidade de uma salamandra mexicana – considerada na mitologia um deus asteca transformado – em regenerar partes do corpo é a grande esperança dos pesquisadores de um dia poder ajudar as pessoas que sofreram amputação. Também conhecido como "monstro da água", o axolote (Ambystoma mexicanum) está praticamente extinto em seu hábitat natural, mas sobrevive em laboratórios, onde se reproduz com facilidade.

A espécie tem, em média, 15 centímetros de comprimento e se transformou na "queridinha" dos cientistas devido à sua capacidade de regenerar membros, pele, órgãos e partes do cérebro e da medula. Os poucos animais que existem fora de laboratório vivem nos poluídos vestígios dos canais astecas que serpenteiam pelo sul da Cidade do México, repletos de barcos coloridos transportando turistas.

Outros animais têm capacidade de regeneração, mas apenas as salamandras são capazes de regenerar tantas partes repetidamente ao longo da vida.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos fez uma doação de US$ 6,25 milhões (cerca de R$ 12,3 milhões) a cientistas que estudam a pequena criatura com o objetivo de um dia ajudar os mais de mil soldados que voltaram do Iraque e do Afeganistão com membros amputados.

Em um laboratório da Cidade do México, onde estudantes de biologia mapeiam o reduzido hábitat do animal, é possível constatar que um axolote, cuja perna foi cortada por outro axolote, devolveu um minúsculo membro, completo, com pequenos dedos.

"Os humanos reparam tecido, mas não o regeneram com perfeição, enquanto o axolote, sob determinadas condições de lesão, é capaz de repetir o processo do embrião", diz Elly Tanaka, do Centro para Terapias Regenerativas de Dresden, na Alemanha. Elly conseguiu desenvolver axolotes por meio de engenharia genética usando um tipo mutante encontrado no meio ambiente sem pigmento da pele e inserindo um gene fluorescente de água-viva nas células da salamandra para ajudar na observação do processo de regeneração.

"A pele é clara, então é possível ver a proteína fluorescente dentro do animal vivo", explica a pesquisadora.

O objetivo é comparar com o processo de cicatrização humano. Depois de uma amputação nas salamandras, diferentemente dos humanos, os vasos sanguíneos se contraem rapidamente e contêm o sangramento, as células da pele agem rapidamente para cobrir o local da lesão e formar o chamado "blastema", um grupo de células semelhantes às células-tronco que com o tempo se transforma na nova parte do corpo.

Trabalhando com cientistas que mapeiam o complexo genoma do axolote, que é 10 vezes maior que o genoma humano, Elly Tanaka e seus colegas esperam descobrir o que permite a salamandra regenerar um membro.

Os humanos já têm a capacidade de regenerar as pontas dos dedos, caso elas sejam amputadas acima da articulação. Se o ferimento é limpo e tratado apropriadamente, um dedo pode retomar sua forma, a impressão digital e o tato.

Cientistas acreditam que em apenas uma ou duas décadas partes do corpo humano poderão ser regeneradas de modo semelhante às da salamandra mexicana.

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