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Disputa presidencial

A tática de Trump contra Hillary em 2016 que se repetiu no debate entre Flávio e Lula

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Flávio Bolsonaro faz gesto de negação atrás de Lula durante debate da Band. Movimentação lembrou a postura adotada por Donald Trump atrás de Hillary Clinton no debate presidencial americano de 2016. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE)

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A movimentação do senador Flávio Bolsonaro (PL) atrás do presidente Lula (PT) durante o debate da Band, realizado neste domingo (18), repetiu uma cena que circulou bastante durante a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016.

Naquele ano, o então candidato republicano Donald Trump chamou atenção ao permanecer atrás da então candidata democrata à Presidência Hillary Clinton enquanto ela respondia a perguntas dos eleitores durante um debate presidencial.

No confronto deste domingo, Flávio também aproveitou os momentos em que os participantes podiam circular livremente pelo estúdio para se posicionar atrás de Lula. Enquanto o petista falava, o senador aparecia no enquadramento das câmeras fazendo expressões de desaprovação e gestos com as mãos, incluindo gestos de negação.

A movimentação irritou Lula, que criticou o comportamento do adversário. O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também reclamou do comportamento do senador do PL durante um dos intervalos.

Nesta segunda-feira (19), Lula criticou novamente Flávio em um vídeo publicado nas redes sociais e disse que ficou "incomodado" com o confronto deste domingo. "Confesso a vocês que me senti muito incomodado de participar de um debate com um miliciano", afirmou. O petista também chamou o senador de "uma pessoa desqualificada" e o acusou de ter ido ao encontro “preparado para mentir”.

O que aconteceu em 2016

A cena de 2016 ocorreu durante o segundo debate presidencial americano, realizado em 9 de outubro daquele ano, na Universidade Washington, em St. Louis, no Missouri. Na época, Trump teve um comportamento semelhante ao de Flávio, se posicionando atrás de Hillary e fazendo gestos. Naquele encontro, os participantes também podiam se movimentar pelo palco para responder perguntas. Trump aproveitou a ocasião para andar pelo espaço enquanto Hillary respondia aos eleitores. Em um dos momentos mais comentados daquele debate, o agora presidente dos Estados Unidos ficou exatamente atrás da democrata durante uma resposta sobre o sistema de saúde americano. Com a decisão, ele continuou visível nas imagens onde aparecia Hillary, mesmo sem estar com a palavra.

Donald Trump e Hillary Clinton durante o segundo debate presidencial dos Estados Unidos, realizado em 9 de outubro de 2016, em St. Louis, no Missouri. (Foto: ANDREW GOMBERT/EFE)

No dia seguinte, o jornal americano The Washington Post publicou uma análise da crítica de dança Sarah L. Kaufman sobre a linguagem corporal dos candidatos no debate. Na análise, Kaufman interpretou a postura de Trump, em fechar pela metade os olhos e fazer gestos de desaprovação durante o debate atrás de Hillary como uma demonstração de "intimidação".

Em outra reportagem publicada no mesmo dia, o Washington Post ouviu outros dois especialistas em linguagem corporal. David Givens, diretor do Centro de Estudos Não Verbais, avaliou que Trump se movimentava constantemente pelo palco para desviar a atenção das falas de Hillary.

Patti Wood, autora de livros sobre linguagem corporal, comparou à reportagem Trump a um leão que circula ao redor de um adversário. Segundo ela, o republicano manteve naquele debate uma postura de ataque mesmo sem estar com a palavra.

O New York Times também analisou o momento. Em reportagem publicada em 10 de outubro de 2016, o jornal ouviu Ruth Sherman, especialista em comunicação e linguagem corporal, que avaliou que a proximidade física de Trump era uma maneira de demonstrar domínio sobre o espaço e podia distrair o público enquanto Hillary apresentava suas propostas.

Em seu livro What Happened, publicado em setembro de 2017, Hillary contou que pensou em pedir a Trump que se afastasse dela naquele dia, mas decidiu continuar respondendo às perguntas. Trump venceu Hillary na eleição realizada em novembro de 2016 e chegou à Casa Branca pela primeira vez.

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