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Entrevista

Ação preocupa defensores da liberdade de expressão

Claudio Paolillo, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)

Antes de a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) emitir um parecer oficial, Claudio Paolillo, copresidente da Comissão de Liberdade de Expressão da entidade, comentou o caso argentino à Agência O Globo.

Qual a gravidade do ocorrido ontem?

A SIP ainda vai emitir um parecer oficial, mas posso adiantar que a ação contra a Cablevisión é grave. Coloca a ameaça à liberdade de imprensa na Argentina hoje no mesmo patamar da existente em Equador e Venezuela: há perseguição sistemática por parte do governo. A diferença é que Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Rafael Correa (do Equador) gritam e xingam seus opositores, e Cristina faz tudo mais discretamente, faz parecer que as ações ocorrem sem a adesão da Casa Rosada, como no caso de hoje (ontem), ou para o bem público, no caso da Papel Prensa.

Qual a ligação do governo com o Vila-Manzano?

Além de ter uma boa presença na mídia do interior, o grupo de comunicação é ligado a construtoras, empresas do setor elétrico, entre outras. Ou seja, são muitos contratos, muitas áreas de influência, muita verba publicitária. O apoio de seus donos ao kirchnerismo é vantajoso para os dois.

Há alguma legitimidade na ação? Que problemas pode haver numa fusão (da Cablevisión com a Multicanal) que ocorreu em 2007?

Aparentemente nenhum. O Grupo Clarín é líder de mercado por fornecer um serviço de qualidade. Pense num grupo de mídia forte e competente no Brasil. Daí uma empresa concorrente chega num tribunal e encontra um juiz favorável a ela. A empresa diz que não consegue mais mercado porque é vítima de concorrência desleal. E o juiz manda a polícia invadir a concorrente, revistar funcionários. Foi isso que aconteceu hoje na Argentina, e isso preocupa todos os defensores da liberdade de expressão.

Cristina foi reeleita com uma votação histórica. Precisa tanto assim perseguir a imprensa crítica?

Em algum momento do governo anterior, do marido Néstor, o casal Kirchner decidiu que não poderia ser criticado. A questão da Papel Prensa e agora, da TV a cabo, são parte de falhas sistemáticas que fazem parte da História argentina e da fraqueza de suas instituições. Desde os tempos de Perón, a imprensa livre tem dificuldades de atuar no país. E, agora, Cristina acumula muito poder, o que agrava a situação.

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