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O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, da ala socialista do Partido Democrata, anunciou nesta terça-feira (8) duas ações que estão politizando a questão dos atentados terroristas de 11 de Setembro, que na sexta-feira completarão 25 anos.
O mandatário confirmou ontem que comparecerá a uma cerimônia de homenagem às vítimas que será realizada no local dos ataques, apesar de pedidos para que não o faça, e lançou um portal que oferece acesso a cerca de 170 mil páginas de documentos sobre qualidade do ar, riscos à saúde e a resposta da prefeitura após o 11 de Setembro.
Segundo informações da agência EFE e da revista Time, tais documentos, que não haviam sido divulgados anteriormente, apontam que as autoridades de Nova York estariam cientes dos perigos da contaminação por substâncias tóxicas nas imediações do Marco Zero (onde ficavam as Torres Gêmeas, alvos dos atentados da Al-Qaeda em 2001) após os ataques, mesmo enquanto continuavam a afirmar aos nova-iorquinos que o ar seria seguro para respirar.
“Agora, quase 25 anos depois, mais pessoas morreram em decorrência de doenças relacionadas ao 11 de Setembro do que no próprio dia dos ataques”, disse Mamdani na entrevista coletiva na qual anunciou o portal.
Em comunicado, a gestão do prefeito socialista disse que “por muito tempo, os nova-iorquinos tiveram que lutar para obter acesso a registros que deveriam estar disponíveis para eles desde o início”.
“Este portal faz parte do compromisso contínuo de nossa administração em homenagear aqueles que perdemos, cuidar dos que vivem com sequelas de saúde duradouras e dar a milhares de nova-iorquinos a resposta que eles tanto buscavam”, disse Mamdani, que também anunciou nesta terça-feira que a prefeitura fez um acordo a respeito de duas ações judiciais apresentadas pela organização 9/11 Health Watch, para encerrar a batalha jurídica sobre registros relacionados à qualidade do ar e aos riscos à saúde no período pós-11 de Setembro.
O prefeito de Nova York à época dos atentados, o republicano Rudy Giuliani, não fez comentários sobre o portal.
A vereadora republicana nova-iorquina Joann Ariola criticou Mamdani pela criação da página. Segundo informações da revista Newsweek, ela chamou a coletiva do prefeito nesta terça-feira de “performática” e afirmou que se tratava de uma tentativa de “desviar a atenção” do que classificou como falta de preocupação com as vítimas do 11 de Setembro e suas famílias.
“O objetivo dele era ocupar o espaço na mídia; todos os repórteres da Sala 9 [onde ficam na prefeitura os jornalistas que cobrem assuntos do Executivo municipal de Nova York] estavam analisando os documentos e, na minha opinião, isso aconteceu porque ele queria que o foco recaísse sobre aquilo, e não sobre o que estava acontecendo do lado de fora da prefeitura com as famílias”, disse Ariola.
Na segunda-feira (7), antes do portal ser anunciado, Giuliani disse em entrevista à emissora Newsmax que Mamdani não deveria comparecer à cerimônia que será realizada na sexta-feira no Marco Zero, onde se reunirão familiares das vítimas e autoridades para lembrar as quase 3 mil pessoas que morreram nos atentados.
“Tendo perdido amigos lá e sendo muito próximo de muitas das famílias, sinto-me ofendido com a vinda dele”, disse Giuliani.
Nesta terça-feira, Mamdani confirmou que participará do evento. “Tenho orgulho de ser o prefeito desta cidade. Amo esta cidade. Amo este país”, disse, ao pedir que o foco da cerimônia esteja “nas famílias cujos entes queridos foram tirados há 25 anos no horrível ato de terrorismo de 11 de Setembro, e também nos socorristas que fizeram tudo o que puderam”.
O ex-governador republicano George Pataki e Bruce Blakeman, executivo do condado de Nassau e candidato republicano a governador cujo sobrinho morreu nos atentados, também expressaram rejeição à presença de Mamdani.
Giovanni Galante, viúvo de uma vítima, iniciou um abaixo-assinado que reúne quase 100 mil apoios para pedir que Mamdani não vá ao evento, alegando posições “hostis” do político, entre elas seus supostos vínculos com figuras controversas do islamismo e sua recusa em condenar a expressão “globalizar a intifada”, utilizada por radicais islâmicos.







