
O ensino do português se expande pelo subcontinente sul-americano. De 2005 para cá, vários países manifestaram o interesse de ofertar o português nas escolas públicas. O ensino do idioma é previsto em lei na Argentina, no Uruguai e na Venezuela, que vão adotando, aos poucos, a nova língua no currículo pedagógico. Colômbia, Bolívia e Paraguai também têm acordos educacionais com o Brasil. Em contrapartida, as escolas públicas brasileiras assumiram o compromisso de ensinar o espanhol no ensino médio e têm até 2010 para se adequar.
Mais do que um avanço cultural, a importância da iniciativa está na integração entre as nações. Segundo o secretário Rodolfo Sahium Ribeiro, da Divisão de Promoção da Língua Portuguesa do Ministério das Relações Exteriores, a promoção da língua portuguesa permite uma maior compreensão, por parte dos outros países, de realidades, problemas e desafios da sociedade brasileira. "A consequência natural desse processo será uma maior cooperação entre os Estados, em inúmeros campos, como a própria cultura, a economia e a política."
O professor da Universidade Federal de São Paulo, José Lindomar Coelho Albuquerque, doutor em Sociologia, concorda que a integração passa pela língua, que leva um conjunto de fatores importantes para o maior conhecimento dos povos vizinhos. Em 2005, Albuquerque realizou um estudo na fronteira com o Paraguai e considerou as línguas ensinadas nas escolas da região. Levantou que, para alguns movimentos, principalmente os camponeses, a propagação do português no Paraguai seria uma espécie de dominação, o que ele é contra. "Não tem perda de soberania", afirma.
Projetos
Um dos primeiros países a manifestar o desejo pela integração por meio da língua foi a Argentina. Em 2005, ela criou com o Brasil o Projeto Escola Intercultural Bilíngue de Fronteira, para aliar estudantes e professores brasileiros com os dos países vizinhos. Atualmente, o projeto está presente em 26 escolas de cinco países.
A professora de Foz do Iguaçu Ivanir Bianchetto, coordenadora municipal do projeto, diz que há alunos que se destacam e conseguem ler fluentemente textos em português.
Jovânia Perin Santos, que dá aula de português para estrangeiros no Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, explica que os estudantes hispânicos têm mais facilidade em aprender o português, mas que nem sempre "a produção deles é a desejada", por isso precisam de aulas.
Os dois idiomas têm similaridades. A língua portuguesa pertence ao grupo das línguas românicas, assim como o espanhol. O português é uma das cinco línguas mais faladas no mundo, na boca de cerca de 180 milhões de pessoas.



