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Polícia

Acusado de furto, rabino Sobel entrega o cargo

Líder judaico no Brasil teria sido preso nos EUA por furtar gravatas

Washington – O presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), Henry Isaac Sobel, de 63 anos, pediu ontem afastamento do cargo depois da divulgação da notícia de sua prisão na sexta-feira em Palm Beach, Flórida. Ele foi acusado de furtar cinco gravatas de grife, uma delas na loja Louis Vuitton da Avenida Worth, conhecida como a Rodeo Drive (rua mais chique de Beverly Hills) da cidade.

Um funcionário da loja chamou a polícia após dar falta de uma gravata e achar suspeito o rabino. O vídeo interno mostra Sobel pegando a peça, dobrando e deixando a loja de mãos vazias, provavelmente com ela no bolso. No carro do rabino, estavam outras quatro gravatas supostamente furtadas, avaliadas em cerca de US$ 680.

Filho de belgas, nascido em Portugal, mas cidadão norte-americano, Sobel mora no Brasil há 36 anos. Seu salário na Congregação Israelita Paulista, a maior do país, é estimado em R$ 25 mil. No começo da tarde de ontem, Sobel negou veementemente as acusações para seus colegas da congregação e disse que tudo não passava de um "mal-entendido". O rabino ainda prometeu se explicar quando voltasse de Campinas, onde participava de um evento da comunidade judaica.

A notícia surpreendeu a comunidade judaica. A artista plástica Amanda Sobel, mulher do rabino, afirmou ao Grupo Estado que nem sequer sabia do caso. "Não acredito nisso, só pode ser mentira", disse ela, que nasceu em Nova Iorque e morou em Palm Beach. "Ele estava de fato lá na Florida, mas não falou nada comigo sobre prisão ou gravatas. Só pode ser armação. Vamos provar que essa notícia é completamente falsa."

Segundo a ficha da polícia do condado de Palm Beach, um policial deteve o rabino duas horas depois de ele sair da Louis Vuitton, andando pela Avenida Worth. "Eu não peguei nada", disse Sobel ao ser abordado pelo policial, mesmo sem ter sido indagado. Depois que o policial afirmou que Sobel havia sido filmado pelo circuito interno de vídeo da loja, o rabino se ofereceu para pagar pela gravata, ainda negando o furto. Uma única gravata da Louis Vuitton custa, em média, US$ 150.

Depois , segundo a polícia, Sobel admitiu o furto e disse que a gravata estava em seu carro. Ele levou o policial até o carro, onde havia uma sacola com quatro gravatas supostamente furtadas, todas com as etiquetas, das marcas Louis Vuitton, Giorgio’s, Gucci e Giorgio Armani. Segundo a polícia, Sobel admitiu "não ter pagado pelas gravatas".

Sobel foi preso e dormiu em uma cela com vários outros prisioneiros, na prisão de Palm Beach, a mesma onde ficaram a bispa Sônia e Estêvão Hernandez, da igreja Renascer, presos em 9 de janeiro. Ele ficou cerca de 21 horas na cela que abriga até 64 detentos. Sobel pagou fiança de US$ 3 mil para ser liberado.

Ninguém sabia que ele é rabino. "Ele disse que era professor", disse Janet Kinsella, porta-voz da polícia de Palm Beach.

Pena

O rabino Sobel é acusado de furto em varejo, mas, como furtou em três lojas diferentes, enfrenta a acusação de "felony" em terceiro grau – crime mais sério. A pena máxima prevista é de 5 anos. O rabino terá de se apresentar ao juiz de Palm Beach para uma audiência no dia 23 de abril.

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