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Afeganistão libera 900 prisioneiros do Talibã e EUA se preparam para retirada das tropas

  • 27/05/2020 22:52
Prisioneiros do Talibã caminham em fila após serem liberados da prisão de Bagram, perto da base militar dos EUA na cidade
Prisioneiros do Talibã caminham em fila após serem liberados da prisão de Bagram, perto da base militar dos EUA na cidade| Foto: WAKIL KOHSAR / AFP

Autoridades do Afeganistão começaram a liberar quase 2 mil prisioneiros do Talibã, cumprindo a sua parte do processo de paz entre o governo afegão e o grupo militante, que parecia estar perto do colapso após um aumento de ataques violentos. O país do sul da Ásia começou com a liberação de 900 desses prisioneiros na terça-feira (26), em resposta a um cessar-fogo de três dias anunciado pelo Talibã.

"Existe a decisão de libertar 900 hoje", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Javid Faisal à agência de notícias AFP na terça-feira, esclarecendo que procedimentos legais poderiam alterar o número final.

Mas apesar das perspectivas de seguir em frente com o acordo de paz e encerrar as hostilidades, após o raro cessar-fogo oferecido pelo grupo armado - apenas o segundo nos 19 anos de conflito - existe a preocupação de que a soltura em massa de prisioneiros do Talibã possa dar uma vantagem ao grupo e prejudicar negociações futuras.

"O governo está dando um salto de fé, apesar dos significativos riscos militares e políticos", disse Javid Ahmad membro do think tank Atlantic Council, de Washington, ao RadioLiberty. "Muitos dos combatentes do Talibã que estão sendo soltos podem pegar em armas novamente", alertou.

O Talibã ofereceu um cessar-fogo de três dias durante o feriado muçulmano do Eid al-Fitr, com início no domingo (24) e fim na meia-noite de terça-feira.

A pausa de três dias nas agressões foi saudada por líderes pelo mundo. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, aprovou o anúncio de cessar-fogo, dizendo que essa era uma "oportunidade tremenda" para que os afegãos superassem seus obstáculos e seguissem para negociações internas para "encerrar a guerra".

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram um aumento das mortes de civis no Afeganistão causadas em operações conduzidas tanto pelo Talibã quanto pelas Forças Nacionais de Defesa e Segurança do Afeganistão. As mortes atribuídas ao Talibã tiveram aumento de 25% em abril em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as baixas causadas pelas forças do Afeganistão cresceram 38% neste período, relatou a Foreign Policy.

Acordo de paz com o Talibã

Os Estados Unidos e o Talibã assinaram um acordo de paz, em 29 de fevereiro, no Qatar, após negociações que começaram em julho de 2018. Na ocasião, os EUA ofereceram reduzir o número de militares no Afeganistão de 13.000 para 8.600. Caso o Talibã cumprisse sua parte do compromisso em 14 meses, todas as tropas dos EUA e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seriam retiradas.

O documento também estipulava que o governo afegão, que não é signatário do acordo, teria que liberar até 5 mil prisioneiros do Talibã. Em troca, o Talibã se comprometeu a liberar até mil autoridades e agentes de segurança afegãos que estão detidos. Em seguida, as negociações internas deveriam começar no país, originalmente previstas para 10 de março. Essas negociações são vistas como essenciais para encerrar o prolongado conflito.

A troca de prisioneiros atrasou porque o governo em Cabul se negou a liberar os 5 mil prisioneiros todos de uma vez. Até esta terça-feira, o governo afegão havia liberado cerca de mil detentos do Talibã, que por sua vez soltou por volta de 300 forças de segurança afegãs, segundo a Al Jazeera.

Retirada das tropas americanas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta quarta-feira (27) a sua vontade de retirar completamente as tropas americanas do Afeganistão, embora não tenha estabelecido um prazo. "Estamos lá há 19 anos e acho que é o bastante. Sempre podemos voltar se quisermos", disse Trump em entrevista coletiva na Casa Branca.

"Estamos agindo como uma força policial, e não como a força de combate que somos, no Afeganistão", tuitou Trump nesta quarta-feira. "Após 19 anos, é hora de eles policiarem o próprio país", completou, indicando o plano de trazer os soldados americanos de volta, mas continuar "olhando de perto" o que está acontecendo, e "atacar como um relâmpago nunca visto" caso necessário.

O Pentágono se prepara para a retirada das tropas americanas antes das eleições presidenciais americanas, já que Trump pretende cumprir a sua promessa de encerrar as guerras americanas. Líderes militares recomendaram que pelo menos uma força antiterrorismo americana permaneça no Afeganistão, relatou o Washington Post.

Governo compartilhado

O Afeganistão assistiu a um grande impasse político, quando ambos o presidente Ashraf Ghani e seu rival Abdullah Abdullah reivindicaram a vitórias nas eleições presidenciais de setembro de 2019. Em 17 de maio, os dois assinaram um acordo de compartilhamento de poder.

O impasse entre os dois líderes também contribuiu para o atraso nas negociações de paz entre o governo afegão e o Talibã.

Também neste mês, um brutal ataque contra uma maternidade chocou o país. Homens armados invadiram um hospital na capital e mataram pelo menos 16 pessoas, incluindo dois bebês recém-nascidos, mães e enfermeiras. No mesmo dia, um atentado a bomba matou 24 pessoas em um funeral. Após esses ataques, Ghani ordenou a retomada das operações ofensivas contra o Talibã e outros grupos. O Talibã negou envolvimento nos ataques, e o Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque contra o funeral.

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Comentários [ 3 ]

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  • M

    Maria Fatima de Moura

    ± 0 minutos

    Temeraria a soltura desses prisioneiros. Não abandonarão suas idéias.

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    • J

      Jorge Dias

      ± 2 dias

      Parabéns ao USA por tentar usar mais a política que a bala no Afeganistão; isso prova que uma guerra sem ser travada no campo das ideias nunca será vencida; contudo: "Si vis pacem para bellum".

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      1 Respostas
      • J

        Jorge Dias

        ± 2 dias

        E aos afegão, parabéns pelo "Molon Labe".

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