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Grupos de agricultores franceses mantêm neste domingo (10) bloqueios em diferentes rodovias e na entrada do porto de Le Havre para protestar contra o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
Cerca de 300 agricultores participavam da ação em Le Havre que, pela manhã, limitava-se a fiscalizar os caminhões, mas permitindo a circulação dos veículos dos funcionários do porto. A informação foi confirmada pelo secretário-geral do sindicato Jovens Agricultores no departamento de Sena Marítimo, Justin Lemaitre, à emissora France Info.
O objetivo era deixar passar "apenas os produtos que respeitem as nossas regras de produção" e "denunciar este acordo do Mercosul", ressaltou Lemaitre.
Questionado sobre quantos dias pretendem permanecer na entrada do grande porto francês da costa atlântica, o sindicalista respondeu que ficarão "o tempo que as forças permitirem" e também o que autorizarem as forças de ordem, que na manhã deste domingo os cercavam à distância.
Para Lemaitre, embora na última sexta-feira (9) os embaixadores dos países da UE tenham dado o aval ao acordo comercial com o Mercosul, com o voto contrário da França, "ainda restam caminhos" para bloquear sua implementação, em particular quando for votado no Parlamento Europeu, mas também com a opção de um recurso perante o Tribunal de Justiça da UE.
Outros pontos de bloqueio foram estabelecidos na França, principalmente no sul do país, como na rodovia A63, no pedágio de Biriatou, junto à fronteira espanhola; ou na rodovia A64, que liga Toulouse a Bayona, na altura de Carbonne.
Organizações agrícolas europeias lamentaram o aval dado pelos Estados-membros à assinatura do acordo de associação e garantiram que realizarão novas mobilizações.
Nos últimos dias, produtores protagonizaram protestos em diversos países, incluindo Espanha, França, Alemanha, Bélgica e Grécia. A União Europeia planeja assinar formalmente o acordo comercial no próximo dia 17 de janeiro, no Paraguai.
Agricultores belgas também protestam contra acordo UE-Mercosul
Agricultores também ocuparam rodovias na Bélgica neste domingo. Segundo meios de comunicação belgas, as interrupções nas estradas do país persistem nas províncias de Hainaut e Namur, ambas na fronteira com a França. Na noite de sexta-feira (9), após dois dias de manifestações intensas, os bloqueios haviam sido levantados na maioria das províncias.
No entanto, veículos de imprensa locais confirmaram neste domingo que, na província de Namur, as barreiras instaladas na rodovia E411 permanecem, mantendo parte da autoestrada fechada. Também continuam operativas diversas interrupções em diferentes direções na província de Hainaut.
Além disso, a polícia de Bruxelas informou no sábado (10) que um condutor de trator despejou uma carga de batatas na Grand-Place, no coração da capital belga, em um ato simbólico de protesto contra o tratado comercial. "O motorista foi levado à delegacia para interrogatório", afirmou a porta-voz da polícia, Ilse Van de Keere.
Agricultores e pecuaristas do sindicato flamengo Boerenbond, que se concentraram na última quinta-feira (8) em frente ao Parlamento Europeu, denunciaram que o acordo de livre comércio forçará o setor agrícola belga e europeu a competir com produtos importados produzidos "com padrões mais baixos e controles insuficientes", segundo explicou à Agência EFE Pieter Verhelst, membro da junta executiva da organização.



