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Ajuda alimentar vai parar no mercado negro

Soldado ajuda haitianas a transportar alimentos enviados por outros países: segurança para evitar desvio de doações | Roberto Schmidt/AFP
Soldado ajuda haitianas a transportar alimentos enviados por outros países: segurança para evitar desvio de doações (Foto: Roberto Schmidt/AFP)

A poucas quadras de onde soldados dos EUA e da ONU distribuem sacos de arroz a mulheres haitianas em Porto Príncipe, am­­bu­­lantes vendem abertamente arroz tirado de sacos que trazem o ca­­rimbo da bandeira norte-americana. Nos primeiros dias após o terremoto de 12 de janeiro que ma­­tou mais de 200 mil pessoas e dei­­xou mais de 1 milhão de desabrigados, a entrega de alimentos na capital frequentemente acontecia em meio ao caos.

Em duas ocasiões, soldados da ONU dispararam gás lacrimogêneo contra multidões de fa­­mintos que se degladiavam na disputa por quantidades limitadas de co­­mida. Para garantir uma distribuição mais ordenada, os doadores internacionais iniciaram um sistema no qual soldados entregam sacos de 25 quilos de arroz apenas a mulheres que lhes apresentem cartões de racionamento.

A distribuição de alimentos fi­­cou mais calma, mas a nova política não impediu a ajuda alimentar de cair nas mãos de vendedores do mercado negro. Em um bairro de Porto Príncipe, vendedores em barracas improvisadas ven­­dem, por cerca de 22 gourdes (55 centavos de dólar) a xícara de ar­­­roz tirado de sacos de alimentos doados.

Marcus Prior, porta-voz do Pro­­grama Mundial de Alimentos, dis­­se que era inevitável que parte dos alimentos doados acabasse sendo vendida. "Ainda é cedo para dizer quanto acaba chegando ao mercado negro", disse ele. "Nunca gostamos de ver isso acontecendo. O ob­­jetivo desta escalada (da ajuda) é de longo prazo: ajudar a estabilizar a situação alimentícia na cidade."

Mas algumas pessoas que buscam conseguir alimentos com o novo sistema de distribuição não sabem como ter acesso a ele. "Não chegou comida alguma aqui", disse Losin Fritz, líder comunitário de cerca de 4,5 mil pessoas que estão vivendo em barracas improvisadas, feitas de paus e plástico transparente. "Sabemos que estão usando os cartões de racionamento, mas não sabemos como conseguir os cartões" disse ele.

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