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Argentina

Alegando espionagem, Milei proíbe acesso de jornalistas credenciados à Casa Rosada

A Casa Rosada, sede da presidência argentina, em Buenos Aires (Foto: Matías Martin Campaya/EFE)

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O governo da Argentina, do presidente Javier Milei, proibiu nesta quinta-feira (23) a entrada por tempo indeterminado de todos os jornalistas credenciados na Casa Rosada, sede da presidência, após denúncias de “espionagem ilegal” contra profissionais de uma emissora de TV.

“A decisão de remover as credenciais de jornalistas credenciados na Casa Rosada foi tomada como medida preventiva após alegações de espionagem ilegal por parte da Casa Militar. O único objetivo é garantir a segurança nacional”, justificou em post no X o secretário de Comunicação e Imprensa, Javier Lanari.

O jornal Clarín informou que o governo Milei decidiu “cancelar a prorrogação” das credenciais que expirariam no último dia de março e que foram estendidas até abril.

“A prorrogação das credenciais para 2025 foi revogada até que a investigação avance e a questão dos vídeos seja esclarecida. A ordem partiu da Casa Militar e ninguém terá permissão para entrar até que o novo processo de credenciamento seja reaberto”, explicaram fontes oficiais ouvidas pelo jornal.

O governo Milei denunciou dois jornalistas da emissora de televisão TN por suposta violação de segurança na Casa Rosada, após a veiculação de imagens mostrando áreas internas do prédio, informou a Agência EFE nesta quinta-feira.

A Casa Militar, órgão responsável pela proteção dos presidentes argentinos, apresentou uma queixa-crime contra Luciana Geuna e Ignacio Salerno, jornalistas da TN, por suposta “ameaça à segurança nacional” devido à veiculação de uma reportagem que incluía imagens de certas áreas dentro da sede do governo.

Em uma publicação em seu perfil no Facebook, Milei escreveu: “A impunidade acabou: a Casa Militar apresentou uma denúncia contra Geuna e Salerno, da TN, por ameaçarem a segurança nacional. Eles realizaram uma operação com câmera escondida sem autorização prévia. A era nefasta das farsas jornalísticas impunes chegou ao fim”.

Na mesma publicação, o presidente declarou: “Lixos repugnantes. Gostaria muito de ver esses lixos imundos que portam credenciais de imprensa (95%) vindo a público defender o que esses dois criminosos fizeram. Espero que isso chegue aos verdadeiros responsáveis”.

Em nota, a TN alegou que a captação de imagens na Casa Rosada foi feita dentro da lei. “A equipe de produção da série [de reportagens] está disponibilizando à Justiça, por meio de seus advogados, o material bruto de todas as gravações, o que demonstra que elas foram feitas em áreas comuns e espaços públicos, de acordo com as normas vigentes”, argumentou a emissora.

Segundo a EFE, o Fórum Argentino de Jornalismo (Fopea) e o Sindicato da Imprensa de Buenos Aires (SiPreBa) condenaram a decisão do governo Milei.

O Fopea considerou a medida “uma ação de extrema gravidade institucional, uma vez que altera as condições básicas para a cobertura jornalística do principal ambiente de funcionamento do Poder Executivo Nacional”.

O SiPreBa, por sua vez, descreveu a medida como um “ato de censura” e a enquadrou no contexto do que chamou de “crescentes abusos de poder de Javier Milei, que não só insulta, difama e assedia jornalistas e profissionais da imprensa que fazem seu trabalho, como também pressiona por demissões, como é de conhecimento público”.

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