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Turquia

Ancara é cenário de distúrbios e Istambul vive noite de calma

Em várias ruas do centro da capital turca, milhares de pessoas se reuniram gritando palavras de ordem contra o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan

Manifestante com uma máscara de Guy Fawkes protesta na rua Kennedy, na região central de Ancara | Reuters/Dado Ruvic
Manifestante com uma máscara de Guy Fawkes protesta na rua Kennedy, na região central de Ancara (Foto: Reuters/Dado Ruvic)

A cidade de Ancara foi cenário de enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes durante a madrugada desta quinta-feira (13), enquanto Istambul viveu uma noite de calma na Praça Taksim, o epicentro dos protestos que acontecem há duas semanas na Turquia.

Em várias ruas do centro da capital turca, milhares de pessoas se reuniram gritando palavras de ordem contra o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

A polícia utilizou novamente canhões com jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão e prendeu um manifestante acusado de dirigir seu carro contra os agentes antidistúrbios, informou a emissora "CNNTürk".

Sites ligados aos manifestantes garantiram que ocorreram "várias prisões" durante os enfrentamentos que se prolongaram até as 21h de Brasília da quarta-feira.

Na Praça Taksim e no parque Gezi a situação foi completamente diferente. A noite foi tranquila, com direito à música ao vivo de dois pianistas que levaram seus instrumentos até o lugar.

O ritmo de temas como "Let It Be", dos Beatles, e "Claro de Luna", de Ludwig van Beethoven, substituiu o barulho dos confrontos da noite anterior e atraiu uma enorme multidão para um concerto improvisado ao ar livre.

O concerto ocorreu horas depois que Erdogan se mostrou aberto à possibilidade de realizar um referendo sobre o futuro do parque, uma proposta que foi colocada durante uma reunião que manteve com artistas e intelectuais escolhidos como "representantes" dos manifestantes.

O projeto de acabar com o parque Gezi, um dos poucos espaços verdes do centro de Istambul, foi o que desencadeou as maiores manifestações na Turquia na última década.

A Plataforma de Taksim, a iniciativa popular que começou os protestos, afirmou em comunicado que as pessoas que se reuniram com Erdogan não a representavam e rejeitou a oferta de realização de um referendo.

O grupo insistiu que o parque deve de ser conservado tal como está agora e que as pessoas não vão sair dali até que esta solução seja garantida.

Hüseyin Çelik, porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), declarou que não se podem tolerar as atividades dos que acampam no recinto e pediu às "organizações ambientais sinceras" que abandonem o parque para deixar os "grupos ilegais a sós com a polícia".

Entre os grupos de ativistas foram realizados debates para determinar que caminho seguir, já que também pesa sobre eles a ameaça de despejo por parte da polícia.

Segundo a emissora CNNTürk, Erdogan disse nesta quarta-feira em reunião que deu instruções ao Ministério do Interior para acabar com os protestos no prazo de 24 horas.

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