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Ciência

Antártida tem mais animais que trópicos

Pesquisa põe teorias sobre a vida em águas quentes e geladas em xeque

Pingüins na Antártida: apenas uma espécie do continente, entre muitas |
Pingüins na Antártida: apenas uma espécie do continente, entre muitas (Foto: )

Mares que rodeiam um arquipélago próximo à extremidade da Península Antártida são mais ricos em vida animal do que as Ilhas Galápagos, comprovam cientistas. A descoberta põe em xeque a idéia de que as regiões tropicais possuem mais espécies que os pólos.

Sabe-se muito menos sobre as Ilhas South Orkney do que sobre as ilhas tropicais que ajudaram a Charles Darwin a moldar seus pensamentos sobre a seleção natural das espécies em sua viagem a bordo do navio Beagle. Mesmo assim, de acordo com um estudo publicado no Jornal da Biogeografia, o mar ao redor das ilhas polares borbulha com uma enorme variedade de formas de vida, contrariando a idéia de que águas polares possuem uma fauna pobre.

"Por muito tempo se acreditou que os trópicos possuíssem uma fauna rica, os pólos, uma pobre, e as localidades de latitude mediana uma intermediária", diz David Barnes, chefe da Pesquisa Antártida Britânica liderada pelo Reino Unido como parte de um censo internacional da vida marinha.

"Esta é a primeira vez que conseguimos analisar cuidadosamente a fauna de um arquipélago polar. Ela não pode ser considerada pobre em qualquer aspecto."

Aquecimento

A pesquisa foi realizada para se estabelecer uma linha de referência e análise das alterações na biodiversidade causadas pelo aquecimento global: "Esta é a parte do mundo com as mudanças mais rápidas quando se fala em temperatura". A Península Antártida sofreu um aumento de sua temperatura de 3 graus Celsius nos últimos 50 anos. "Se não soubermos do que se compõe a fauna em certo ponto, fica muito difícil detectar a movimentação das espécies", complementa.

A pesquisa registrou a existência de 1.224 espécies em 50 classes biológicas diferentes. A equipe descobriu cinco novas espécies e um novo gênero – categoria biológica superior à das espécies. As novas descobertas ainda não foram nomeadas e são, na maioria, "musgos marinhos" (briozoários) ou isópodos (animais como a centopéia).

A equipe também fez uma análise minuciosa de relatórios de expedições científicas realizadas nas últimas décadas em busca de qualquer menção às espécies observadas na região, numa tentativa de criar uma lista o mais completa e definitiva o possível sobre as criaturas encontradas ali. A equipe de Barnes teve de enfrentar os gélidos ventos polares, o que freqüentemente a impediu de trabalhar, e também se precaver contra ataques de orcas (baleias-assassinas) e focas-leopardo. Caso algum destes predadores se aproximasse da equipe, os membros deveriam subir a bordo da embarcação fornecida pela British Antarctic Survey ou fazer a nada fácil jornada de volta à costa.

Tradução: Thiago Ferreira

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