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Laureado pela paz

Ao receber Nobel, Obama justifica guerras

Presidente americano cita Hitler para lembrar que às vezes é necessário pegar em armas para derrotar o inimigo

Obama exibe diploma e medalha do Nobel: defesa do uso de força pela paz | Kevin Lamarque/Reuters
Obama exibe diploma e medalha do Nobel: defesa do uso de força pela paz (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)
Veja trajetória de Obama e outros presidentes que ganharam o Nobel |

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Veja trajetória de Obama e outros presidentes que ganharam o Nobel

O presidente dos Estados Uni­­dos, Barack Obama, lembrou ontem em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel da Paz que as guerras são necessárias em algumas ocasiões. Obama evocou a causa de uma "guerra justa" na Norue­­ga, onde participou da cerimônia da entrega do Nobel, em Oslo.

"Eu vejo o mundo como ele é", discursou Obama. O líder norte-americano foi criticado por, dias após receber o prêmio, anunciar o envio de mais 30 mil soldados dos Estados Unidos pa­­ra a guerra no Afeganistão. "Um movimento não violento não poderia ter parado os exércitos de Hitler. As negociações não po­­dem convencer os líderes da Al-­Qaeda a en­­tregar suas armas", disse. "Dizer que a força às vezes é necessária não é um chamado ao cinismo, é um reconhecimento da história."

O presidente americano in­­­clusive citou as ocasiões em que, na opinião dele, as guerras são necessárias. "Quando um país pre­­cisa se defender, para ajudar uma nação invadida, por razões humanitárias, como a perseguição de civis, ou quando uma guer­­ra civil ameaça tomar uma re­­gião inteira", listou ele.

Obama também enfatizou as alternativas à violência, ressaltando a importância tanto de esforços diplomáticos e de duras sanções para confrontar nações como Irã e Coreia do Norte.

Para Julian Zelizer, titular de História e Política Internacional na Universidade de Princeton, dois princípios por trás desse conceito serviriam de justificativa ao conflito do Afeganistão: é justo não só por proteger os Es­­tados Unidos, mas o mundo, da ameaça do terrorismo. E porque há legitimidade em lutar contra a brutalidade de um regime co­­mo o Taleban.

"Mas esses princípios são me­­nos importantes que sua implementação. Resta uma pergunta pragmática: o que os EUA e a Otan podem, de fato, fazer para garantir a estabilidade futura no Afeganistão?" indaga ele. "Um discurso como esse, dizendo que a guerra hoje pode prevenir a paz amanhã, pode ser uma armadilha. Daqui a um ano, a estabilidade será mantida, o país estará reconstruído?"

Visita rápida

Obama ficará apenas 24 horas em Oslo. Ele foi recebido pelo primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, mas também por algumas de zenas de manifestantes, que gritavam slogans contra a Guerra no Afeganistão em frente ao complexo do governo no­­rueguês onde a premiação foi entregue. "O povo afegão está pagando o preço" pela guerra, eles gritaram. Obama esteve no Instituto Norueguês do Nobel, onde assinou o livro de convidados, e disse aos repórteres que agradecia o comitê.

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