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Espaço

Após 520 dias, chega ao fim maior simulação de viagem a Marte

A escotilha foi aberta exatamente às 14h de Moscou (8h de Brasília), e os seis voluntários saíram do simulador de nave interplanetária

Frame de TV registra o retorno dos voluntários do projeto Marte 500 | REUTERS/European Space Agency/Handout
Frame de TV registra o retorno dos voluntários do projeto Marte 500 (Foto: REUTERS/European Space Agency/Handout)
Foto feita em julho mostra membros do projeto Marte 500 descansado em seu módulo |

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Foto feita em julho mostra membros do projeto Marte 500 descansado em seu módulo

Voluntários treinam caminhada em Marte durante projeto Marte 500, na Rússia |

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Voluntários treinam caminhada em Marte durante projeto Marte 500, na Rússia

Membros do grupo de voluntários que participaram do projeto Marte 500 |

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Membros do grupo de voluntários que participaram do projeto Marte 500

A maior simulação de uma viagem espacial a Marte já feita terminou nesta sexta-feira com a "chegada" à Terra do grupo de seis homens que ficou isolado do mundo exterior em um módulo durante os 520 dias de duração da experiência.

A escotilha foi aberta exatamente às 14h de Moscou (8h de Brasília), e os seis voluntários saíram do simulador de nave interplanetária montado na sede do Instituto de Problemas Biomédicos de Moscou (IPBM).

Um por um, os "terranautas" deixaram o simulador - sorridentes, como se pôde perceber nas imagens disponibilizadas pela imprensa russa - e foram recebidos por autoridades, familiares e amigos, com os quais só poderão voltar para casa após três dias de quarentena, na qual serão submetidos a exaustivos exames médicos.

Os voluntários - os russos Alexei Sitev (engenheiro), Aleksandr Smoleevski (médico) e Sukhrob Kamolov (cirurgião), o ítalo-colombiano Diego Urbina (engenheiro), o francês Romain Charles (engenheiro) e o chinês Wang Yue (instrutor de astronautas) - concederão uma entrevista coletiva na próxima terça-feira.

"O projeto Marte-500 foi um sucesso, embora apenas pelo fato de que nenhum dos membros da tripulação internacional desistiu da experiência", declarou Aleksandr Suvorov, chefe executivo da missão, à agência estatal russa "RIA Novosti".

Suvorov explicou que a simulação demonstrou que "o ser humano pode suportar uma viagem a Marte de ida e volta", embora devido à quantidade de recursos que seriam necessários, incluindo alimentos, a tripulação de uma viagem real seria composta por quatro "astronautas", e não seis.

O fim da experiência foi aproveitado pelo subdiretor da agência espacial russa Roscosmos, Vitali Davydov, para reiterar que a Rússia tem planos de enviar um voo tripulado a Marte por volta de 2030.

"Marte está em nossos planos. Será para meados de 2030. Muitos dos que estão aqui hoje viverão para vê-lo", disse Davydov em entrevista coletiva.

O chefe do programa de voos tripulados da Roscosmos, Alexei Krasnov, informou por sua vez que a agência planeja repetir a experiência Marte-500, mas no espaço.

"Quando isso ocorrerá? Acho que não antes de dois anos", disse Krasnov.

Os participantes do projeto realizaram mais de cem experiências "no espaço", tiveram que consertar danos na "nave" e fizeram até caminhadas simuladas no planeta vermelho.

"A ida à superfície de 'Marte' nos deu muitas informações. Os especialistas controlavam permanentemente o estado físico e moral dos voluntários", disse Suvorov.

Segundo ele, o batimento cardíaco por minuto de alguns "terranautas" chegou a 160, mais os 152 registrados em Yuri Gagarin durante seu histórico voo espacial.

Com reserva de várias toneladas de água e comida, os "terranautas" viveram em cinco módulos espaciais de 180 metros quadrados sem janelas e com a mesma composição de ar, pressão e nível de ruídos que em uma nave interplanetária, ou seja, em condições similares às de um voo espacial real.

O módulo de habitação tinha uma pequena cozinha com mesa-refeitório e quartos de seis metros quadrados para os tripulantes, com cama, mesa e armário, vaso sanitário e uma ducha - esta só podia ser usada uma vez a cada dez dias.

Segundo os organizadores do projeto, o momento mais difícil foi o retorno simulado à Terra, já que nesse momento a missão já tinha sido um sucesso, mas os voluntários precisavam continuar a realizar experiências científicas por vários meses.

A missão servirá para comprovar a compatibilidade psicológica entre os integrantes de uma tripulação e permitirá o aperfeiçoamento da construção das naves espaciais que viajarão a Marte.

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