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Risco à segurança

Após alerta dos EUA, Chile cancela projeto para construir observatório astronômico com a China

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O chanceler do Chile, Alberto Van Klaveren. (Foto: Elvis González/EFE/EPA)

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O governo do Chile decidiu encerrar o projeto para a construção de um observatório astronômico em parceria com a China, no norte do país, após alertas feitos pelos Estados Unidos sobre possíveis implicações estratégicas da iniciativa. Segundo a chancelaria chilena, além das preocupações levantadas por Washington, o acordo com Pequim para a construção do observatório não seguiu as regras legais exigidas para esse tipo de cooperação internacional.

A iniciativa previa a construção de um observatório em Cerro Ventarrones, na região de Antofagasta, a partir de um acordo firmado em janeiro de 2023 entre a Universidade Católica do Norte (UCN) e o Observatório Nacional Astronômico da China, ligado à Academia de Ciências do país comunista. O projeto, no entanto, estava suspenso desde abril do ano passado.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Chile, o convênio “não é válido”, porque universidades privadas não têm autorização para firmar acordos internacionais dessa natureza. Segundo a chancelaria, projetos desse tipo precisam ser negociados diretamente entre Estados ou conduzidos por instituições públicas com competência legal, como a Universidade do Chile.

Segundo o chanceler Alberto van Klaveren, o projeto não seguiu o caminho previsto na legislação chilena e também envolveu o uso inadequado de um terreno fiscal. A área havia sido concedida pelo Ministério de Bens Nacionais à UCN para uma finalidade diferente da que acabou sendo apresentada no acordo com a entidade chinesa, o que levou à revogação da concessão.

A revisão do projeto ocorreu após advertências transmitidas pelos Estados Unidos ao governo chileno no início do ano passado. À época, a então embaixadora americana no Chile, Bernadette Meehan, alertou que a infraestrutura não deveria ser vista apenas como um empreendimento científico, mas também como uma possível plataforma para o monitoramento de satélites, com implicações estratégicas e de defesa.

Segundo relatos da imprensa chilena, o alerta americano levou a chancelaria a revisar os detalhes do acordo, que até então não eram plenamente conhecidos pelo governo federal. A análise jurídica acabou concluindo que o projeto ultrapassava as atribuições da universidade envolvida.

A China reagiu às advertências de Washington classificando-as como uma “interferência na soberania chilena”. A embaixada chinesa em Santiago afirmou que o observatório tinha fins exclusivamente científicos e comparáveis a outros telescópios estrangeiros que operam no país, inclusive projetos financiados pelos próprios Estados Unidos.

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