O governo de Madagascar, que já havia proibido a presença da Igreja Universal do Reino de Deus no país, vetou uma nova igreja protestante com mais de 300 mil fiéis, atitude que gerou críticas sobre o cerceamento à liberdade religiosa.
Os jornais locais trouxeram, na edição desta quarta-feira, fotos de fiéis chorando ao ver a polícia invadindo sua congregação na capital de Madagascar, Antananarivo.
O ministro do Interior, Jean André Soja, disse que a Nova Igreja Protestante de Madagascar (FPVM) havia sido proibida, mas não deu detalhes. A Igreja Universal do Reino de Deus fora proibida este ano por irregularidades em sua licença para funcionar, segundo o governo.
A FPVM havia ocupado ilegalmente alguns novos prédios que eram destinados à igreja protestante tradicional.
- O governo considera que a ocupação, pela FPVM, de nove edifícios culturais destinados à FJKM (a igreja protestante tradicional) constitui uma ameaça à ordem pública - disse o governo.
Mas integrantes da igreja disseram que os prédios foram oferecidos a eles, e que o governo estava favorecendo uma igreja em detrimento de outra, numa violação à Constituição laica do país.
- O que aconteceu com a liberdade de religião? Eles não vêem que isso só vai fortalecer ainda mais a nossa fé?, perguntou o fiel Odile Andriananisolotoandro.
O presidente Marc Ravalomanana, que assumiu o poder durante a crise política de 2001-2002, é um evangélico tradicional e também vice-chefe da igreja protestante tradicional da ilha. Ele vem sendo criticado por suas opiniões religiosas e acusado de marginalizar religiões minoritárias.
- Até nós fomos surpreendidos com a medida - disse o pastor protestante Edmond Razafimahefa, líder da oposição.
- Ele se diz cristão devoto e fecha uma igreja protestante?.
Quarenta e um por cento dos 17 milhões de habitantes da ilha do oceano Índico dizem-se cristãos, a maioria pertencente à igreja protestante tradicional ou à Católica. Cerca de 10% da população é muçulmana e o restante pratica crenças locais.



