Cientistas estão cada vez mais convencidos da relação entre o aquecimento global e o aumento da violência das tempestades tropicais. Ontem, durante uma conferência sobre clima nos Estados Unidos, pesquisadores deram a declaração mais contundente sobre o assunto. Eles disseram que ciclones, furacões e tufões podem ficar progressivamente mais intensos devido à elevação da temperatura do planeta.
Numerosos cientistas, inclusive alguns ligados ao governo americano, disseram que a temporada de furacões de 2005, excepcionalmente violenta, foi provocada pelo aquecimento global. Embora nem todos os especialistas estejam convencidos disso, muitos reconhecem que parece haver uma intensificação das grandes tempestades. O exemplo mais recente foi o ciclone tropical Monica, que atingiu a Austrália esta semana com ventos de 350 quilômetros por hora e pode ser a mais violenta tempestade tropical já registrada. Monica foi o ápice de uma temporada de ciclones anormalmente violenta na Austrália. O Centro de Previsão de Furacões dos EUA prevê que 2006 terá uma temporada de furacões muito intensa.
- Os furacões que temos visto são resultado direto das mudanças climáticas. Eles não são uma previsão. São algo que já estamos vendo - disse Greg Holland, um dos diretores do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos.
Holland deu essa declaração para um auditório lotado, na 27ª Conferência sobre Furacões e Meteorologia Tropical da Sociedade Meteorológica Americana, em Monterey, na Califórnia. Ele disse que os ventos e a elevação da temperatura da água do mar que alimentam os furacões na região do Caribe se tornaram mais freqüentes devido ao aquecimento global. Outros pesquisadores ponderaram, porém, que embora existam mudanças na intensidade das tempestades, estas poderiam ser fruto de oscilações naturais, e não de alterações climáticas associadas à ação humana. Um desses cientistas é William Gray, da Universidade do Colorado. Para ele, de fato as tempestades continuarão a se intensificar, ao menos na região do Caribe. Mas isso é resultado de um ciclo natural que deve durar mais cerca de dez anos.
Já Thomas Knutson, da Administração Americana de Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês), disse que o aumento de meio grau Celsius na temperatura média dos oceanos é apenas a ponta do iceberg. Segundo ele, a água ainda deve esquentar até quatro graus ao longo do século. Uma revisão de pesquisas realizadas em Reino Unido, Alemanha, Canadá e Rússia sugere que a metade do aumento da atividade de furacões pode ser atribuída ao aquecimento global.



