Aman, Jordânia O sangue do líder palestino Yasser Arafat continha o vírus HIV, que causa a aids, mas ele morreu em 2004, internado em um hospital na França devido a um envenenamento. A acusação foi feita pelo médico pessoal de Arafat, Ashraf al-Kurdi, à mídia da Jordânia, e repercutiu ontem na imprensa do Oriente Médio.
Segundo o jornal israelense Haaretz, al-Kurdi afirmou que o vírus foi injetado no organismo de Arafat quando ele já estava seriamente doente. Aparentemente, o médico insinua que o vírus causador da aids foi inoculado para disfarçar a verdadeira causa da morte do líder palestino.
Al-Kurdi foi entrevistado pela rede de TV árabe Al-Jazeera a respeito do caso, mas segundo o Haaretz a transmissão foi encerrada logo depois que o médico mencionou o vírus HIV.
O médico também disse à mídia da Jordânia que era chamado imediatamente para atender Arafat "mesmo quando ele tinha um simples resfriado". No entanto, nas semanas que antecederam a morte do líder, e quando sua saúde estava se deteriorando rapidamente, al-Kurdi foi ignorado, além de ter sido impedido de visitar seu paciente (que ele tratou por 18 anos) no hospital particular em que era tratado, em Paris. Ele também disse que não teve acesso ao corpo.
O Haaretz já havia publicado uma afirmação de al-Kurdi, em setembro de 2005, sobre a morte de Arafat. Na ocasião, ele disse que "qualquer médico diria que a morte dele teve todos os sintomas de envenenamento".
Arafat morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos. A causa exata de sua morte nunca foi revelada, e as insinuações de que ele havia sido envenenado pelo governo do ex-premiê israelense Ariel Sharon são comuns entre os árabes. A novidade no que al-Kurdi falou na Jordânia é a suposta infecção pelo HIV.
Profanação
Em junho passado militantes do Hamas saquearam a residência na Cidade de Gaza do ex-presidente palestino Yasser Arafat, histórico líder dos nacionalistas do Fatah, segundo testemunhas.
Os extremistas assaltaram o edifício, considerado um dos maiores símbolos do Fatah na Faixa de Gaza, apesar dos pedidos de calma do primeiro-ministro Ismail Haniyeh (do Hamas), que continua no cargo apesar de ter sido destituído pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
A invasão à casa de Abu Amr como Arafat era conhecido foi recebida como uma profanação por seus seguidores.



