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Crise diplomática

Argentina considera “lamentável” rebaixamento das relações com Brasil, mas descarta ações

O Ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse que o governo Lula age por ideologia (Foto: EFE/ Javier Torres)

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O chanceler da Argentina, Pablo Quirno, voltou a se manifestar sobre a decisão do Brasil de rebaixar as relações com seu país nesta quarta-feira (5), após dizer no dia anterior que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) age "puramente por motivos ideológicos".

Em coletiva de imprensa nesta manhã, o ministro de Javier Milei considerou "lamentável" a ação do Itamaraty de reduzir as relações de forma unilateral com a seguinte observação: "Nos últimos anos, houve manifestações de ambos os lados que tornam transparentes as diferenças políticas e ideológicas" entre os países.

Quirno destacou que, apesar dessas divergências, a Argentina decidiu não levar a questão para o âmbito diplomático e, embora "o Brasil tenha todo o direito de decidir fazê-lo, lamentamos, pois acreditamos que existe outra maneira de preservar as relações entre os países".

"É lamentável que reclamem de interferência nos processos eleitorais quando Lula visitou Cristina Kirchner antes das eleições do ano passado e não houve problema da nossa parte", disse. "Essas são as regras do jogo", acrescentou o ministro.

O chanceler argentino mencionou ainda que o petista "pronunciou insultos ao nosso presidente, que não foram respondidos", sem citar quais foram as delcrações, e considerou que "é uma questão de substância, não de forma" porque "temos diferenças ideológicas, a região está mudando e também esperamos que assim seja no Brasil".

Quirno citou outro episódio no início do ano, quando o ditador Nicolás Maduro "foi removido do poder" na Venezuela e o Brasil anunciou cinco dias depois "que deixaria a representação da Argentina" naquele país.

"A Argentina teve cidadãos que eram prisioneiros políticos em risco de vida", disse Quirno, acrescentando: "Isso é muito mais sério".

O Itamaraty anunciou nesta terça-feira que manterá o embaixador brasileiro destacado para Buenos Aires, Julio Bitelli, em solo brasileiro enquanto os insultos do presidente libertário forem mantidos.

A crise entre os governos teve início com a visita de Milei ao Brasil para a convenção do PL para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Naquela ocasião, o líder da Casa Rosada se referiu ao petista como "ladrão" e "presidiário". Depois do discurso, Milei reiterou suas críticas ao líder brasileiro em outras oportunidades, durante entrevistas à imprensa argentina e nas redes sociais.

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