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Protestos

Argentina enfrenta greve geral com 160 piquetes no país

Greve foi organizada pela ala da Central Geral de Trabalhadores (CGT) comandada pelo líder do sindicato dos caminhoneiros, o poderoso Hugo Moyano

Protestos e piquetes movimentam a Argentina nesta terça-feira | REUTERS/Enrique Marcarian
Protestos e piquetes movimentam a Argentina nesta terça-feira (Foto: REUTERS/Enrique Marcarian)
Protesto em Buenos Aires nesta terça-feira |

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Protesto em Buenos Aires nesta terça-feira

O governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, enfrentará nesta terça-feira uma greve organizada pela ala da Central Geral de Trabalhadores (CGT) comandada pelo líder do sindicato dos caminhoneiros, o poderoso Hugo Moyano, que incluirá mais de 160 piquetes em todo o país e paralisará vários setores da economia, entre eles, bancos e alguns meios de transporte.

Moyano foi um importantíssimo aliado do governo Kirchner até o ano passado, quando decidiu romper sua parceria com a Casa Rosada e tornar-se um dos principais dirigentes da oposição. Hoje, o chefe dos caminhoneiros tentará exibir todo o seu poder de mobilização, junto com outros movimentos sociais como a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) e a Federação Agrária Argentina (FAA). A lista de demandas é ampla e inclui modificações no sistema de cobrança do Imposto de Renda e reajuste de emergência das aposentadorias.

A greve de Moyano e seus novos sócios políticos será realizada quase duas semanas depois do segundo panelaço nacional contra o governo Kirchner, em menos de três meses. Em 8 de novembro passado, milhares de pessoas saíram às ruas de Buenos Aires e outras cidades do país para exigir medidas de combate à inflação (que este ano alcançará, segundo analistas privados, cerca de 25%), insegurança e garantias para a liberdade de expressão, entre outros pedidos.

"Será uma manifestação muito forte", declarou Moyano, que acusa o governo Kirchner de ter virado as costas para os trabalhadores.

A principal bandeira do líder dos caminhoneiros é a exigência de uma atualização do piso salarial (o chamado mínimo não tributado) estabelecido pelo governo a partir do qual um trabalhador deve pagar o Imposto de Renda. Em 2007, no caso de trabalhadores solteiros, por exemplo, o piso equivalia a cerca de 4,1 vezes o salário mínimo. Desde então, o salário mínimo aumentou 172% e a inflação cerca de 168% (segundo projeções de economistas privados).

Já o "piso não tributado" não foi modificado e hoje basta ganhar 2,6 vezes mais do que o salário mínimo para começar a pagar IR. Com isso, estima-se que o tributo afeta 1,5 milhão de trabalhadores argentinos. Cristina prometeu rever o piso a partir de 2013, ano em que seu governo disputará uma nova eleição legislativa.

Para Moyano e seus aliados, o Estado argentino ampliou de forma expressiva sua arrecadação e não melhorou, na mesma proporção, a situação dos trabalhadores. Segundo o jornalista Tomás Bulat, comentarista econômicos de rádios e canais de TV locais, "o Estado Nacional é o mais novo rico da Argentina".

"Há nove anos, o Estado arrecadava US$ 25 bilhões e hoje arrecada US$ 150 bilhões", disse Bulat.

Governo diz que garantirá transporte

A greve também conta com a participação de importantes associações de produtores rurais, entre elas a FAA, que em 2008 liderou a onda de protestos do setor contra a Casa Rosada.

"Vamos estar em todo o país", disse o presidente da FAA, Eduardo Buzzi.

O secretário de Segurança do governo, Sergio Berni, assegurou que o governo vai "garantir o transporte para todos os que quiserem trabalhar". No entanto, muitas empresas deram folga a seus trabalhadores, por temor a dificuldades para a locomoção em ônibus, metrô, trem e até mesmo táxi. No aeroporto metropolitano Jorge Newbery as operações serão limitadas, já que o sindicato dos técnicos aeronáuticos aderiu à greve, assim como os bancários e setores do comércio.

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