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Para entender

Astrônomos confirmam descoberta de planeta gigante com menos de 1 milhão de anos

A descoberta de Elias 2-24 b permite aos astrônomos observar uma etapa da formação planetária que normalmente só pode ser reconstruída a partir de sistemas muito mais antigos. (Foto: Wikimedia Commons)

Uma equipe liderada pelo pesquisador Andrea Bernardi confirmou a existência de Elias 2-24 b, o planeta mais jovem já detectado pela ciência. Localizado a 450 anos-luz da Terra, o gigante gasoso tem massa similar à de Júpiter e foi observado ainda dentro de seu disco natal de gás e poeira. A descoberta desafia modelos astronômicos sobre a velocidade de formação de mundos gigantes no universo.

Como os cientistas conseguiram identificar um planeta tão jovem?

A descoberta foi possível graças à combinação de dados de três grandes observatórios: o ALMA e o VLT, no Chile, e o Observatório Keck, no Havaí. Inicialmente, os astrônomos notaram uma lacuna, que é uma espécie de espaço vazio, no disco de poeira ao redor da estrela. Para confirmar se havia um planeta ali, eles utilizaram um instrumento chamado coronógrafo, que funciona como um bloqueador da luz intensa da estrela. Isso permitiu que o brilho muito mais fraco do planeta em formação fosse finalmente isolado e confirmado após anos de análise de dados arquivados.

Por que a idade de Elias 2-24 b surpreendeu a comunidade científica?

Até então, os planetas mais jovens conhecidos tinham cerca de 5 milhões de anos. Elias 2-24 b tem menos de 1 milhão de anos, o que é considerado um tempo recorde para a formação de um gigante gasoso. De acordo com as teorias atuais, um planeta com o tamanho de Júpiter deveria levar muito mais tempo para acumular tanta matéria, especialmente estando tão distante de sua estrela central. O fato de ele já estar praticamente formado em um sistema tão novo indica que existem processos na natureza que aceleram o nascimento desses mundos, algo que os modelos teóricos ainda precisam explicar.

O que é um disco protoplanetário e qual sua importância?

O disco protoplanetário é um imenso anel de gás, gelo e poeira que gira em torno de uma estrela recém-nascida. É nesse ambiente, comparado a um berçário cósmico, que os planetas começam a surgir quando as partículas de poeira se colidem e se fundem pela ação da gravidade. No caso de Elias 2-24 b, ele ainda está mergulhado nesse material, acumulando gás para construir sua atmosfera. Observar um planeta nessa fase é uma oportunidade raríssima, pois geralmente os astrônomos só encontram sistemas onde esse disco já desapareceu, restando apenas planetas adultos e antigos.

De que maneira essa descoberta ajuda a entender o nosso Sistema Solar?

Como o nosso Sistema Solar tem bilhões de anos, os cientistas só conseguem reconstruir o seu passado por meio de simulações. Ao observar o sistema de Elias 2-24, os pesquisadores têm em mãos uma espécie de fotografia em tempo real de como a Terra e Júpiter podem ter começado. Estudar como a matéria se concentra e como as órbitas se estabilizam em um sistema tão jovem permite validar teorias sobre a evolução planetária. É uma janela para o passado que ajuda a entender se o nosso sistema seguiu um caminho comum ou se somos uma exceção no funcionamento do universo.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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