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Economia global

Ataque ao Irã alimenta temor de que preço do petróleo possa disparar para US$ 100

Uma coluna de fumaça se eleva do centro de Teerã após um ataque israelense neste sábado.
Uma coluna de fumaça se eleva do centro de Teerã após um ataque israelense neste sábado. (Foto: EFE/Mehrnews)

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O ataque realizado neste sábado por Estados Unidos e Israel contra o Irã pode afetar significativamente o preço do petróleo, que pode chegar a US$ 100 o barril, visto que o Irã possui 10% das reservas mundiais de petróleo bruto.

O país mantém uma produção de petróleo bruto de aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, o que o torna o motor econômico de sua economia. Desse montante, entre 80% e 90% são exportados para a China.

Embora os países europeus não importem petróleo iraniano diretamente, o impacto indireto pode ser significativo, já que o Irã é o terceiro maior produtor de petróleo bruto em volume dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e ainda mais se Teerã bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo bruto.

Apesar das sanções impostas, a indústria petrolífera iraniana consolidou sua posição nos últimos anos como referência na produção de petróleo bruto, respondendo por aproximadamente 4,5% da produção global.

Após o ataque ao Irã, diversos especialistas concordam que o preço do petróleo bruto pode chegar a US$ 100 por barril, representando um aumento de mais de 37% em comparação com o preço de fechamento de sexta-feira, de US$ 72,48 por barril do petróleo Brent, a referência europeia.

"Se a capacidade de produção do Irã for afetada, isso reduzirá a oferta no mercado, o que elevará o preço do petróleo bruto para US$ 100", explica Raymond Torres, diretor de Análise Econômica da Funcas, instituição privada e sem fins lucrativos na Espanha.

Posição estratégica

O preço do petróleo também pode subir se o Irã bloquear o estreito de Ormuz em resposta ao ataque, uma via navegável por onde passa 20% da produção mundial de petróleo, acrescentou o analista da empresa de investimentos XTB, Manuel Pinto.

O embaixador do Irã na Espanha, Reza Zabib, disse à Agência EFE que todas as opções estão sobre a mesa, embora tenha enfatizado que o Irã sempre garantiu a navegação pacífica no estreito de Gibraltar, incluindo o trânsito de energia.

Isso se agrava pela posição estratégica do Irã, próximo a outros grandes países produtores de hidrocarbonetos no Oriente Médio, onde se concentra quase metade das reservas mundiais.

Caso o preço do petróleo suba para US$ 100, não será a primeira vez que atinge esse patamar. Isso já ocorreu em outros períodos de tensão geopolítica, como em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, assim como entre 2011 e 2014 e em 2008, devido a conflitos no Oriente Médio.

Inflação

A alta dos preços do petróleo pode alimentar a inflação e, portanto, abrir a possibilidade de que os bancos centrais revisem sua política monetária, optando por aumentar as taxas de juros em vez de mantê-las ou reduzi-las.

Se o conflito continuar, Juan Carlos Martínez Lázaro, professor de Economia da IE University, advertiu que esse aumento no preço do petróleo poderá ser sentido no preço da gasolina e do transporte, com custos logísticos mais elevados.

"O risco é que esses chamados efeitos de segunda ordem sejam mais permanentes, mesmo que o preço do petróleo bruto caia posteriormente", afirmou.

Analistas afirmam que a sessão de negociação de segunda-feira será crucial para entender como os mercados reagirão às novas tensões geopolíticas, um cenário que normalmente impulsiona o preço do ouro, um porto seguro em tempos de incerteza.

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