Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Violência

Ataques em série agravam crise no Iraque

Onda de violência toma conta de Bagdá quatro dias após a saída dos últimos soldados norte-americanos do país

Cenário de destruição em um dos locais atingidos por bomba em Bagdá, nos mais mortíferos ataques no país em mais de quatro meses | Thaier al-Sudani/Reuters
Cenário de destruição em um dos locais atingidos por bomba em Bagdá, nos mais mortíferos ataques no país em mais de quatro meses (Foto: Thaier al-Sudani/Reuters)

Uma onda de ataques com bombas em Bagdá matou pelo menos 69 pessoas e deixou pelo menos 169 feridas. O Iraque atravessa uma grave crise política, com seu vice-presidente acusado de comandar esquadrões da morte e o primeiro-ministro, Nuri al-Malik, advertindo que poderia romper um acordo para a divisão do poder.

Houve pelo menos 16 ataques no decorrer do dia, sendo 14 aparentemente coordenados pela capital durante a manhã e mais dois algumas horas depois.

A violência ocorre dias após as forças norte-americanas deixarem o país. Até ontem à noite, nenhum grupo havia reivindicado as ações, mas elas levam a marca dos insurgentes sunitas da Al-Qaeda. A maioria dos ataques ocorreu em bairros xiitas, ainda que algumas áreas sunitas também tenham sido alvos.

A pior explosão foi registrada no bairro de Karrada, onde um suicida com um veículo cheio de explosivos atacou as proximidades de um escritório da agência do governo que enfrenta a corrupção. Pelo menos 25 pessoas morreram e 62 ficaram feridas nesse ataque.

Os atentados, os mais mortíferos em mais de quatro meses, coincidiram em grande parte com a hora do rush da manhã. As forças de segurança isolaram as áreas atingidas.

Os dois ataques ocorridos mais tarde, ambos na zona oeste de Bagdá, deixaram pelo menos nove mortos e 21 feridos, segundo autoridades locais.

A violência ocorre no mo­­mento em que políticos iraquianos divergem sobre um mandado de prisão contra o vice-presidente Tareq al-Hashemi. O primeiro-ministro Nuri al-Maliki exigiu que autoridades curdas entreguem o líder sunita, que tem ficado na região autônoma curda. Hashemi afirma ser inocente.

O vice-presidente é suspeito de ter financiado e apoiado atentados realizados por seus guarda-costas. Hashemi negou com veemência as acusações e afirmou que estava disposto a ser submetido a julgamento, com a condição de que o processo seja realizado na região autônoma curda, onde encontra-se atualmente.

Maliki, fez um chamado a "todas as forças nacionais de boa vontade (...) a permanecer ao lado das forças de segurança".

Em Washington, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Jay Carney, acusou militantes da Al-Qaeda no Iraque pelos atentados e assegurou que "as tentativas de fazer descarrilar o progresso do país fracassarão".

"O Iraque sofreu atentados horríveis do mesmo gênero no passado e suas forças de segurança demonstraram ser capazes de fazer frente a eles e de manter a estabilidade do país", afirmou Carney.

A embaixada norte-americana declarou ser "particularmente importante durante este período crítico que os líderes políticos do Iraque resolvam suas diferenças pacificamente".

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.